Edição nº2526 18/05 Ver edições anteriores

A maldição de Thanos

Os filmes de super-heróis revolucionaram o cinema, e o faturamento da Marvel comprova isso. Confesso gostar do estilo, lembrando que cinema é diversão, entretenimento. O que não quer dizer que não seja possível extrair mensagens mais “filosóficas” desses filmes.

Esse recente da “guerra infinita”, que junta toda a trupe dos Vingadores, tem em seu vilão o principal e mais interessante personagem. Thanos quer conquistar o mundo, como todos os vilões. É movido por poder, aquele que exige, num pacto mefistofélico, o sacrifício da própria filha. Mas ele não tem aquela risada diabólica. Não é o típico inimigo da humanidade, caricato. Ao contrário: ele demonstra “compaixão” pelos que habitam o mundo.

Quando fala sobre reduzir pela metade a população (um genocídio) em prol do bem-geral da humanidade, isso nos remete aos discursos dos eco-terroristas malthusianos do Clube de Roma da década de 1970, dos globalistas da ONU de hoje. Misantropia e niilismo sob o manto da bondade utilitarista e racional: a coisa que mais tem por aí!

São os vilões que me assustam, pois se julgam nossos heróis salvadores. São como os socialistas “ungidos”, que querem igualdade de resultados mesmo que na marra, os positivistas de Comte, “engenheiros sociais” que olham indivíduos como peças sacrificáveis em seu tabuleiro de xadrez, os “fascistas do bem”, que não vão descansar enquanto não nos “salvarem” de nós mesmos, os seres fracos e patéticos, mesmo que nos destruindo no processo.

O “pai do totalitarismo” moderno ilustra bem o perfil. Em seu Emile há uma confissão: “O que era mais difícil de ser destruído dentro de mim era uma misantropia orgulhosa, uma certa acrimônia contra os ricos e os felizes do mundo, como se eles estivessem nessa situação à minha custa, como se sua alegada felicidade tivesse sido usurpada de mim”. Movido por tal sentimento, Rousseau passaria a incorporar a voz da “vontade geral”, e estava disposto a forçar o homem a ser “livre”. Quanto amor pela “Humanidade” sentia aquele que abandonou todos os seus cinco filhos!

O famoso explorador Jacques Custeau certa vez afirmou que, para estabilizar a população mundial, era preciso eliminar 350 mil pessoas por dia. Reconhecia que era algo horrível de se dizer (que meigo), mas afirmou que era tão ruim quanto não dizer essa “verdade”. O bilionário socialista Ted Turner, dono da CNN, foi na mesma linha quando disse que o tamanho ideal de população seria de 250 a 300 milhões, uma queda de 95% dos níveis atuais.

São diversos casos similares. Aprendi a redobrar meu cuidado diante de almas tão “bondosas”, sedentas por poder absoluto para “salvar” o mundo. Soros, digo, Thanos é mesmo um perigo, e num estalar de dedos pode fazer diversos inocentes se transformarem em pó…

Rousseau passaria a incorporar de forma megalomaníaca a voz da “vontade geral”, e estava disposto a forçar o homem a ser “livre”


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