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“A maioria dos influenciadores de finanças parece caolho guiando cegos”, diz Luiz Fernando Roxo, economista

Crédito: Divulgação

Para Roxo, ainda estamos em um nível totalmente superficial de investimento no Brasil. “Não se sabe calcular risco do jeito certo, ainda se acha que volatilidade é risco e que diversificação é o último almoço grátis. Mas as pessoas estão aprendendo” (Crédito: Divulgação)

Luiz Fernando Roxo, economista, educador financeiro, especialista em softwares quantitativos, escritor e empresário é o convidado do novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte. 

Há 25 anos no mercado financeiro, trabalhou em grandes instituições e é referência em investimentos, renda variável, opções, antifragilidade e desenvolvimento pessoal. No episódio, ele fala sobre sua dislexia e dificuldade de aprender matemática, influenciadores do mundo das finanças e as três vezes que quebrou.

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Na infância, Roxo teve dislexia e dificuldade para aprender matemática, mas nada disso o impediu de seguir uma carreira no mercado financeiro. Mais do que isso, por conta da dificuldade de entender coisas complexas, para educar o seu cérebro, acabou criando analogias, metáforas bem simples que hoje utiliza para ensinar outras pessoas.

“Certamente há pessoas melhores e mais inteligentes do que eu no mundo dos derivativos, uma das coisas mais complexas do mundo, mas as pessoas gostam da maneira como eu explico porque elas acabam aprendendo”, justifica.

Mas antes de se tornar professor, o economista atuou em diferentes frentes do mercado financeiro. Foi analista, ajudou a montar o departamento de private bank do Bradesco, onde começou como estagiário, depois foi para o banco Safra, passou pela Ágora Investimentos e, durante um tempo, operou seu próprio dinheiro. 

O economista acredita que ainda estamos em um nível totalmente superficial de investimento no país. “A maioria dos influenciadores desse mercado é de pastores de rebanhos que conhecem muito pouco, quase como caolhos guiando cegos”, alfineta. “Não se sabe calcular risco do jeito certo, ainda se acha que volatilidade é risco e que diversificação é o último almoço grátis. Mas as pessoas estão aprendendo.”

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Começar a investir

Roxo acha que, mesmo que a pessoa não esteja completamente preparada ou tenha pouco dinheiro, precisa começar a investir da maneira mais simples possível. Para ele, há três grandes chaves para o crescimento do patrimônio. A primeira é a paciência. “Leva tempo, precisa ser paciente, pois as oportunidades vão aparecer”, afirma. “Depois de crises, por exemplo, você compra tudo com um preço muito barato, então tem que saber que é um projeto de 20 anos.”

A segunda é ter sabedoria: “todos os dias você precisa estudar um pouco de filosofia, de investimento (teóricos, clássicos, técnicos), aprender como usar ferramentas, ver vídeos no YouTube, ler livros, e-books”, orienta. “Se estiver chato, mude para outro, você não precisa estudar ou ler uma coisa chata. Tem muito conteúdo legal – vai escutar o podcast, ver algum especialista.” 

Por último, você precisa colocar em prática, ou seja, aplicar o aprendizado. “Se você fizer um pouco de cada uma dessas três coisas, fica divertido”, garante. 

Mas o economista reconhece que o caminho não será fácil. “Você é o seu pior inimigo. Vai querer se boicotar, se livrar do sofrimento, mas também vai querer aumentar o seu risco quando estiver perdendo porque você é ganancioso”, aponta. 

Então, para evitar que o investidor cometa essas bobagens, Roxo sugere criar um sistema que automatiza o máximo possível para que, caso dê certo ou dê errado, o investidor possa reavaliar, criar um método novo e repetir para, dessa vez, não se boicotar. 

Erros que viram acertos

E ele fala por experiência própria, pois quebrou três vezes na vida por conta de operações erradas. Perdeu muito dinheiro e teve que começar tudo de novo. Foi na terceira, em 2007, que resolveu fazer um mestrado e dar aula. 

“As maiores lições da nossa vida são quando a gente está mais sob pressão, tem mais dificuldades, problemas. E a vida não me poupou problemas e enrascadas que eu mesmo me coloquei.”

Desde então, ele estuda métodos e escolas de investimento, tentando cruzar conhecimentos. Sua maior influência é Nassim Nicholas Taleb, um libanês-americano que, acredita, está revolucionando o mercado financeiro há 20 ou 30 anos.

E foi seguindo a atuação de Taleb que Roxo criou a Estratégia do Pozinho, que se beneficia do caos na bolsa de valores para ganhar dinheiro. “Você consegue proteger seu patrimônio e ter ganhos quando a bolsa entra em queda ou em alta”, explica.

Nessa estratégia, o investidor compra um direito desacreditado por centavos de reais e repete o método por muito tempo até que o caos aconteça e ganhe muito dinheiro. Roxo conta que, em 2010, começou a aplicar a técnica. Comprava todo mês R$ 500 em Opções da Vale, achando que subiria e, em março, as ações da Vale realmente subiram muito e ele transformou R$ 1.000 em R$ 112 mil.

>>> Confira aqui todos os episódios do programa.