Cultura

Luto na música – A madrinha do samba

Beth Carvalho, a maior sambista brasileira, morreu na terça-feira 30, deixando um legado de centenas de sambas imortais

Crédito: Divulgação

Beth Carvalho 1946  – 2019

Beth Carvalho e o samba são inseparáveis. Ela nasceu com o samba nas veias. Aos oito anos, ganhou o primeiro violão dos avós e nunca mais deixou de cantarolar, compor e gravar sambas inesquecíveis, ao longo de mais de 50 anos de carreira. Exímia violonista, aos 18 anos passou a dar aulas de música para suprir a renda familiar, com a prisão de seu pai pela ditadura militar em 1964. Mas essa destreza a levou para o mundo da nascente Música Popular Brasileira, gravando um ano depois seu primeiro disco compacto com a música “Por quem morreu de amor”, de Roberto Menescal. Seu primeiro grande sucesso, no entanto, “Andança”, foi gravado em 1969, e virou hino dos barzinhos.

Disputou também inúmeros festivais de música, que marcaram a década de 70. “Coisinha do pai” foi outro retumbante sucesso, marcando sua troca da MPB para o samba rais. De 1973 em diante, gravou um disco por ano, como “1.800 Colinas”, “Saco de feijão”, “Olho no olho”, “Firme e forte” e “Vou festejar”. Suas magistrais interpretações de canções de Cartola, especialmente “As rosas não falam”, e “Folhas secas”, de Nelson Cavaquinho, marcaram época. Ela ganhou notoriedade dentro do Brasil. Em 2009, na edição do Grammy Latino, em Las Vegas, foi a primeira sambista a receber um prêmio especial do Lifetime Achievement Awards.

Já uma sambista de destaque, Beth Carvalho casou-se com o jogador de futebol Edson de Souza Barbosa, com quem teve sua única filha, Luana Carvalho. Apaixonada pelo Botafogo e pela Mangueira, seus sambas embalaram os carnavais cariocas e suas músicas eram entoadas de Norte a Sul do país. Mas em 2009, a maior sambista brasileira começou a sofrer fortes dores na coluna, o que passou a limitar sua presença em shows. Nesse ano precisou cancelar o show do réveillon do Rio, na Praia de Copacabana, devido às dificuldades para andar. Depois disso, as dores foram constantes, até que em 2012 fez uma cirurgia na coluna, o que, contudo, não resolveu o problema.

Internação

A genialidade da cantora foi reconhecida em 2013 quando foi tema da Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé, de São Paulo, que levou sua história para o Sambódromo do carnaval paulista. De 2018 para cá, mal conseguia parar em pé e nesse ano fez um show com o conjunto Fundo de Quintal deitada em um sofá. Aos 72 anos, ela morreu na terça-feira 30, às 17h33, no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona Sul do Rio de Janeiro, onde estava internada desde o início deste ano. A coisinha tão bonitinha do pai foi morar no céu.