A linguagem imunda de Bolsonaro

Crédito: Adriano Machado

(Crédito: Adriano Machado)

Desculpe, caro leitor, mas entramos em uma nova ordem retórica suja, podre, levada a cabo pelo desbocado presidente da República em pessoa. Sim, inacreditavelmente, é ele quem se dirige aos brasileiros, agora com uma frequência repugnante, trombeteando nojeiras, difíceis de repetir, como “caguei” ou “sou o cocô de vocês”, além de outras porcarias deploráveis, dignas talvez do submundo da política, de onde ele emergiu, mas jamais condizente com as relações socialmente civilizadas e republicanas, que deveriam pautar o decoro de um mandatário. Bolsonaro é a expressão da imundície em pessoa. Lidera uma terrível involução verborrágica como se tivesse boca de pinico a acumular o odor fétido de esgoto. São abjetas, por natureza, suas expressões, desde o antológico “golden shower”, que saudou logo que tomou posse. Melhor nem traduzir. Para os curiosos, uma busca no google irá saciar a dúvida. Mas não se espante. Está, como sempre, no pior padrão de podridões típicas do capitão, que parece ter uma mente tomada por lama no lugar de massa encefálica. Do “golden shower” até o “cocô” personalizado nele mesmo, foi uma sucessão escatológica de palavreado chulo e lixo mental que agridem e causam asco. Bolsonaro não se emenda. Aliás, piora com o tempo. Alegam os apoiadores desse comportamento pestilento do mandatário que ele o faz como tática diversionista, para fugir de outras verdadeiras (com o perdão, mais uma vez, do uso por empréstimo das expressões do “mito”) cagadas administrativas que pratica. Essas de natureza efetivamente danosas à população. De orçamento paralelo à malversação de verbas da Saúde, a sua gestão está repleta de exemplos. Expondo a delinquência operacional inerente ao capitão. Bolsonaro agora prevaricou, não há dúvida. E não o fez no dito “baixo meretrício”, no sentido muito usual por lá como termo para definir atividades da vida mundana. Bolsonaro prevaricou sentado na cadeira de comando do gabinete, no Palácio do Planalto. Até os peixes do muitas vezes fedorento Lago Paranoá sabem. E o País inteiro viu. Foi o próprio Messias quem deixou que atravessadores conspurcassem aquisições públicas de vacina para salvar vidas. Aplicassem “pixulecos” na transação, com sobrepreços indecentes — tanto quanto seus vitupérios. Bolsonaro emporcalhou o mandato com as sujeiras de praxe do baixo clero e será preciso muito desinfetante, e de maneira urgente, para limpar os dejetos de sua passagem por ali. Ao se autoproclamar “eu sou o cocô de vocês”, talvez o mandatário tenha, na verdade, tido um lampejo de sincericídio sobre a irrelevância que representa e representou como chefe de governo. Acerta em cheio na franqueza. Das fezes de sua política rasteira, repleta de conchavos e esquemas encardidos, nada de bom parece existir para ser salvo. O odor catinguento e golpista de um mandatário autoritário já provoca repulsa na esmagadora maioria. Pesquisas mostram que 70% dos brasileiros acreditam que Bolsonaro está metido em corrupção. Ao menos 63% acham que ele é incapaz de liderar o País e mais da metade dos entrevistados não votariam nele de jeito nenhum, considerando sua gestão ruim ou péssima. Não há personagem, por mais excrementos que professe, que consiga a reeleição nas urnas com tamanha rejeição. Seus hábitos, postura e linguagem mundanos servem apenas para afundá-lo, ainda mais, na latrina da insignificância pestilenta. Nem a antecessora, Dilma Rousseff, no auge das tolices, foi capaz de desonrar a Presidência e de descer tão baixo, a ponto de se comparar com estrume. É repugnante. Mas Bolsonaro, talvez, quem sabe, ache a condição bacana. Pode até arrebatar risos com o palavreado podre, mas desperta muito mais aversão no público que não costuma lhe seguir como gado. O presidente está, como costuma dizer a sabedoria popular, com a mente suja. Não apenas no palavreado, como no campo das práticas. Pensa quase todo dia em golpe, em cancelar as eleições. Chama ministro do Supremo de “idiota” e “imbecil”, parlamentares da Comissão de Inquérito (quando por ele “elogiados”), de “patetas” e “bandidos”. Perdeu de vez as estribeiras e deixou a língua solta. Contra jornalistas, então, na predileção pelos do sexo feminino, insurge-se com os adjetivos mais ofensivos possíveis, de “quadrúpede” para baixo. É a lacração imbecil, asquerosa, típica do baixo clero. De gente cuja regra de caráter se perdeu em meio ao cocô das ideias.


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