Em Cartaz

A lição de Manoel de Barros

“Ocupação” traz inéditos do poeta mato-grossense que defendia a reeducação dos sentidos pela volta à natureza

Crédito: Divulgação

CONTEMPLAÇÃO O poeta Manoel de Barros em sua fazenda próxima em Campo Grande: erudição e sensibilidade (Crédito: Divulgação)

O poeta mato-grossense Manoel de Barros (1916-2014) passou a vida administrando sua fazenda e escrevendo poemas a lápis em cadernos que ele confeccionava. Criador de gado e de linguagem, ele é visto erroneamente como um poeta primitivista. Na realidade, era um erudito disfarçado de roceiro: formou-se em Direito, estudou literatura e se influenciou pela rebeldia do poeta Arthur Rimbaud. Publicou 34 livros entre 1937 e 2013. São escritos povoados de plantas, animais, tempestades e neologismos, como “aprendimento”, com o qual definiu seu método criativo. A intimidade do poeta é revelada na “Ocupação Manoel de Barros”, a 43ª produzida pelo Itaú Cultural em dez anos. Em um espaço projetado pela cenógrafa Adriana Yazbek, distribuem-se 300 itens do acervo do autor, cedidos pela filha, Martha Barros. O espaço também é ocupado por uma biblioteca para consulta livre, vídeos e áudios de poesias. “É uma exposição para ser lida”, diz o jornalista Claudiney Ferreira, organizador do evento. “Ela traz a visão delicada de Manoel, que ensinava a contemplar o chão e as coisas ínfimas. Algo diferente da atual mentalidade truculenta do Brasil.” Itaú Cultural (SP), de 13/2 a 7/4.