Cultura

A joia do Louvre

Após dez meses de reformas, uma de suas mais valiosas e históricas galerias. a Apollo, é reaberta ao público

Crédito: Stephane de Sakutin/AFP

DESLUMBRANTE Encomendada por Luís XIV, que reinou na França de 1643 a 1715, a Galeria Apollo faz um tributo ao Sol e exibe o lado exuberante e culto da monarquia (Crédito: Stephane de Sakutin/AFP)

OSTENTAÇÃO Pertences reais como cálices e vasos de pedras refletem a riqueza da monarquia francesa (Crédito:Stephane de Sakutin/AFP)

Os admiradores daquilo que de melhor, na técnica e na estética, já foi produzido pela humanidade no campo das artes têm muito a comemorar. O Museu do Louvre, após dez meses de reformas, reabriu para o público as suas maravilhosas e sofisticadas coleções da Galeria Apollo. Com um pé-direito de 15 metros e mais de 60 metros de comprimento, ela exibe cerca de 100 obras de arte, entre belíssimas pinturas e esculturas feitas nas paredes a pedido do Rei Luís XIV. A sua importância caminha com o valor das obras que abriga hoje e ao longo da história: esse foi o primeiro local onde exibiu-se a milionária coleção Crown Diamonds (Diamantes da Coroa), composta por algumas raríssimas peças desse que é o maior museu de arte do mundo.

As 23 joias que compõem a coleção, além de atraírem olhares de todo o planeta, foram o principal impulso da reforma do espaço: antes, elas eram exibidas separadamente, em diferentes alas do museu. O motivo dessa dispersão é que, após serem vendidas quase em sua totalidade pelo Estado, em 1887, o Louvre foi recomprando-as aos poucos. Com a reestruturação da Galeria Apollo, as joias passaram a ficar reunidas, expostas em seu centro e, portanto, mais organizadas. Divididas em três conjuntos, elas contam a história da monarquia da França sob uma ótica de glamour. O primeiro grupo remete ao período que antecede a Revolução Francesa (1789-1799) e inclui os preciosos diamantes “Regent”, o maior diamante branco conhecido na Europa no século XVIII, e “Sancy”, comprado pelo Museu por US$ 1 milhão. Já o segundo grupo de peças contém joias de 1804 a 1848, ou seja, do Primeiro Império, do período da Restauração e da Monarquia de Julho. E o terceiro conta com joias do Segundo Império, que vai de 1852 a 1870, incluindo as que pertenceram à imperatriz Eugenie, esposa de Napoleão III. Os brilhantes fazem cair o queixo: colares, tiaras, broches e coroas repletos de pedras preciosas, como a coroa que pertenceu ao Rei Luís XV. Há ainda uma rica coleção de vasos de pedra.

Tributo ao rei sol

A Galeria Apollo foi criada há mais de 350 anos, a pedido de Luís XIV (1638-1715) para recepcionar seus convidados de forma luxuosa, conforme mandava a tradição nos palácios e casas nobres da época. Chamado de “Rei Sol”, ele valeu-se da estrela como símbolo de seu reinado devido ao significado de ordem, regularidade e capacidade de dar vida às coisas. O nome da galeria, portanto, remete a Apollo que, segundo a mitologia greco-romana, é um dos maiores deuses do olimpo. Após um incêndio em 1661 Luís XIV contou com a direção do arquiteto Louis Le Vau e o seu primeiro pintor, Charles de Brun, para reconstruir o espaço. Como não poderia ser diferente, Le Brun criou uma decoração com o tema sol, com a corrida do astro pelo espaço por meio de desenhos de terra, água, continentes e símbolos do zodíaco. De lá para cá, além de três grandes pinturas à mão de Le Brun, o espaço recebeu excepcionais trabalhos, como o estuque (argamassa de gesso) feito pelos escultores Girardon, Thomas Regnaudin e os irmãos Gaspard e Balthasar Marsy. E não foi só isso: há ainda estonteantes tapeçarias tecidas pela Manufatura dos Gobelins, icônica fábrica de Paris.

No centro do teto, uma deslumbrante pintura de Apollo vencendo a cobra Phython, pintada pelo renomado artista francês do romantismo Eugène Delacroix. Após a reforma, que também limpou peças para recuperar o seu brilho, as obras de arte ganharam uma nova lógica de exibição. Passear por ali é respirar arte, beleza e riqueza, e admirar, pelo menos por alguns instantes, apenas o lado exuberante e culto da monarquia.