A guerra do arroz

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DESCOMPASSO O desentendimento entre Bolsonaro e Guedes agravou a crise dos alimentos (Crédito: GETTY IMAGES)

A fritura de Paulo Guedes está afetando a sua capacidade de solucionar o descontrole dos preços agrícolas. A alta de 3,98% dos produtos da cesta básica em agosto, penalizando os mais pobres, mostrou sua inoperância no controle do abastecimento dos principais alimentos dos brasileiros. Desde o início do ano, o arroz subiu 19,25% e o feijão aumentou 30%. Um absurdo, pois a inflação anual é de 2,44%. Atraídos pelos melhores preços internacionais, os agricultores exportaram o que podiam, sobretudo para a China. E, no mercado interno, a demanda explodiu porque a classe média passou a cozinhar mais em casa e os mais pobres aumentaram o poder de compra devido ao auxílio emergencial de R$ 600. Moral da história: os preços dispararam. E o que fizeram Bolsonaro e Guedes?

Estoques

Quando viu que a situação era crítica, Guedes deveria ter mandado fazer estoques estratégicos, mas cruzou os braços. Nossas reservas acabaram e os nossos grãos foram escoados para o exterior. Neste momento, estão engordando porcos e frangos chineses. Já os consumidores brasileiros ficaram a ver navios, sem o tradicional arroz e feijão.

ICMS zero

Diante da gravidade do problema, o governador de São Paulo, João Doria, resolveu agir. Informou à ISTOÉ que vai zerar o ICMS que incide sobre o arroz, feijão e macarrão, hoje em 7%. Com isso, espera que os preços desses alimentos caiam. Está tomando a medida para “homenagear os mais pobres, que são os mais sacrificados na pandemia”.

STF devolve a bola ao Congresso

Divulgação

Está no STF uma ação impetrada pelo PTB para que não seja permitida a reeleição dos presidentes do Senado e da Câmara. A questão está nas mãos do ministro Gilmar Mendes, que pretende levá-la ao Plenário. A tendência é de os ministros decidirem que caberá ao próprio Congresso definir o caso. O ministro Luiz Fux (foto), presidente da Corte, entende que a maioria das questões políticas não deveria ser judicializada.

Rápidas

. Roberto Jefferson, presidente do PTB, mostra serviço a Bolsonaro. Anulou as convenções do partido nas cidades onde a sigla apoiava candidatos de oposição ao presidente. Obrigou o PTB a retirar os vices dos petistas Luiz Marinho (São Bernardo) e Emídio de Souza (Osasco).

. O ex-ministro Sergio Moro já está inscrito na OAB-PR e em breve poderá começar a advogar. Ele pega a carteirinha da Ordem em outubro, mas não deverá usar a licença para atuar no processo que envolve Bolsonaro.

. A Justiça está sobrecarregada. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, do STF, são 100 milhões de processos e apenas 18 mil juízes. Em função do acúmulo de trabalho, erros acontecem, mas são corrigidos nas instâncias superiores.

. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) está pedindo a abertura de uma CPI para investigar o desmonte da política ambiental brasileira. “É estarrecedor testemunhar o que acontece no Pantanal e Amazônia”, diz.

Retrato falado

“O Congresso
é um chiqueiro. E de chiqueiro eu não quero nem o cheiro” (Crédito:Waldemir Barreto)

O senador Jorge kajuru disse, em live na ISTOÉ, que não vê a hora de seu mandato terminar, em 2026, para “sair correndo da política”. Explicou estar “enojado” com o que vê no Congresso, com a corrupção e os privilégios dos parlamentares. “Uma senadora de Goiás gastou R$ 12 mil para fretar um jatinho de Goiânia a Brasília, um trajeto que eu faço em duas horas de carro, gastando R$ 80 de gasolina e R$ 10 de pedágio, e o Senado paga a despesa da aeronave sem questionar”.

A savana

Bolsonaro não convenceu ninguém com seu discurso surreal na ONU. A política do governo para o meio ambiente é catastrófica. E, pior, a tragédia no Pantanal está intrinsecamente ligada à política criminosa posta em prática na Amazônia. Desde que Salles assumiu o Meio Ambiente, a boiada não parou de passar. O desmatamento cresceu 34%, sobretudo depois que ele desmontou os órgãos de fiscalização, como o Ibama. Atualmente, 17% da área florestal da Amazônia já está no chão. Segundo o cientista Carlos Nobre, se esse índice chegar a 20% a região vai virar savana e não se recuperará mais. A falta de chuvas no Pantanal já é consequência dessa devastação.

Agricultura

Com isso, os agricultores do centro-oeste serão os mais afetados pela crise hídrica provocada pelo desmatamento na Amazônia. Com menos água, não conseguirão plantar e colher. E é exatamente por isso que os grandes empresários do agronegócio estão se envolvendo nas campanhas para salvar o meio ambiente.

Toma lá dá cá

Randolfe Rodrigues, Senador (Rede-AP) (Crédito:Pedro Ladeira)

Por que o senhor tem criticado a postura de Lula nas eleições municipais?
Ele tem aversão a alianças. Em Macapá, nós progressistas apoiamos João Capiberibe (PSB) como candidato a prefeito, mas Lula se nega a apoiá-lo. Quando esteve preso, o João foi visitá-lo na cadeia e agora ele o deixa só. Um absurdo.

O lulismo faz mal à esquerda?
A insistência de Lula em se colocar como contraponto a Bolsonaro não presta um bom serviço à democracia, pois isso só fortalece o bolsonarismo. Lula deveria abrir espaço para possibilitar alianças que levem a novas políticas.

A esquerda conseguirá se unir contra Bolsonaro em 2022?
Essa não é uma tarefa só da esquerda, mas de todos os democratas, liberais e os de centro.

A derrota de Wajngarten

O TRF-3 rejeitou queixa-crime apresentada por Fábio Wajngarten, da Secom, contra o jornalista Germano Oliveira, diretor de redação da ISTOÉ, que mostrou os métodos totalitários adotados por ele no setor de publicidade do governo. Wajngarten já havia sido derrotado na primeira instância, após decisão favorável à ISTOÉ da juíza Flávia Serizawa.

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Intimidações

A juíza Serizawa afirmou, em sentença proferida em maio, que a ISTOÉ não criticou Wajngarten por sua origem judaica, “restringindo-se a narrar intimidações contra veículos de comunicação e criticando o direcionamento das verbas de propaganda do governo federal”. A ISTOÉ foi representada pelos advogados André Fini Terçarolli e Cláudio Gama Pimentel.

“Não tenho capacidade técnica”

Geraldo Magela

Depois do bolsonarismo ter lançado o nome de Damares Alves para a vaga do decano Celso de Mello no STF, a própria ministra da Mulher detonou a ideia: “Não tenho capacidade técnica. Tem que ser um nome de notório saber jurídico”. Os nomes prováveis são os de Augusto Aras, Jorge Oliveira e André Mendonça.

 

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