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A Greta sem Garbo

Escrevi a palavra “Greta” no motor de busca e a resposta foi: Thunberg. O mundo está louco pensei! Cadê a Garbo? A internet está acabando com as nossas prioridades e manipulando a nossa história. Por mais razão que tenha a garota ambientalista, a primeira resposta à pergunta Greta, não pode ser outra que não Garbo.

Até por que as duas têm apenas um ponto em comum: a Suécia — essa terra de estereótimos (é mesmo estereótimos) loiros e femininos, que durante décadas povoaram a imagética sensual dos machos latinos, esse estilo de homem nativo do sul que se extinguiu de vez com a globalização.

Mas a prosa de hoje não deseja refletir sobre os garbos femininos de outrora, ela almeja apenas discorrer sobre a razão pela qual a máquina que hoje responde a todas as questões da humanidade, esquece a Garbo e lembra a outra. A prosa deseja compreender porque a Greta entre Gretas do passado, se vê ultrapassada na fama e na importância por um dia de fama nas redes sociais.

Porque não importa se a menina trissómica é manipulada pelos pais em busca da fama, ou pelo magnata George Soros em busca de poder e de grana. Nem tão pouco é relevante que a viagem de barco sem pegada de carbono, que trouxe a Gretinha da Europa para discursar nas nações Unidas, polua duas vezes mais que o seu veleiro solitário — porque foram necessários dois ajudantes em avião para levar o barco de volta para a Europa.

A prosa de hoje quer refletir sobre a esquizofrenia da fama rápida. De como essa loucura hiper-mediática que produz conteúdo sem critério, está mudando os mecanismos de aquisição de conhecimento e desvirtuando a história. A prosa de hoje quer compreender porque razão qualquer estória que fique viral nas redes sociais ultrapassa em notoriedade os 2 séculos anteriores em que a humanidade sistematizou a informação.

Porque é muito importante entender a razão pela qual Garbo precisou de uma vida inteira para que o American Film institute a reconhecesse como uma das maiores atrizes de sempre; e Thunberg apenas tenha necessitado de 2 minutos para aparecer na frente dela no ranking da Google.

A Garbo é a única Greta que me interessa. Mais. Ela é a única Greta que interessa. Mesmo que ela nunca tenha ganho um Óscar da Academia e a Gretinha, este ano, até esteja indicada para o prémio Nobel da Paz. Espero que não ganhe!


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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