A força de Preta Gil durante o tratamento agressivo contra o câncer de intestino

A cantora foi diagnosticada com câncer no intestino, mais especificamente com um tumor de seis centímetros no reto, em janeiro de 2023

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Preta Gil Foto: Reprodução/Instagram

Na quarta-feira, 2, a cantora Preta Gil, de 50 anos, usou as redes sociais para agradecer pelo apoio dos amigos após ser internada no Rio de Janeiro. A filha de Gilberto Gil, que luta contra o câncer de intestino, destacou a importância da rede de apoio que tem estado ao seu lado nos últimos anos.

Em um vídeo publicado nos stories, Preta registrou a troca de acompanhantes no hospital. “Ela está passando o bastão do plantão”, brincou, enquanto mostrava a interação entre Gominho e Jude Paula. A cantora fez questão de expressar sua gratidão aos amigos e legendou: “Há dois anos eles cuidam de mim e não cansam. Obrigada, meus amores, Jude Paula, Gominho, Malu Barbosa, Soraya Rocha e Julia Sampaio.”

A nova internação

Segundo informações da assessoria de Preta, a internação foi necessária para a realização de exames e administração de uma medicação que exige ambiente hospitalar. Apesar disso, a cantora deve receber alta ainda nesta semana.

No último domingo, 30, Preta emocionou fãs e telespectadores ao falar sobre seu tratamento oncológico durante sua participação no ‘Domingão com Huck’, da Globo. Na atração dominical, ela ressaltou que precisará viajar novamente para os Estados Unidos para dar continuidade ao processo.

“Aqui no Brasil, já fizemos tudo o que podíamos. Minhas chances de cura estão fora do Brasil, para poder voltar curada e fazer o que eu amo”, afirmou Preta.

A artista também destacou sua confiança na ciência e nas alternativas terapêuticas que vêm surgindo em outros países. “Acredito na ciência e nessas novas oportunidades fora do Brasil”, disse.

Bastante emocionada, Preta Gil recebeu o carinho dos convidados do programa, do público e do apresentador Luciano Huck. Durante a conversa, fez questão de reconhecer sua posição de privilégio e reforçou sua determinação em continuar lutando. “Me recuso a aceitar que acabou pra mim”, completou.

Infecção urinária

No início do mês de março, Preta Gil causou preocupação em seus fãs após ser internada com um quadro de infecção urinária em um hospital particular de Salvador.

A cantora foi internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Aliança Star “em virtude de uma infecção urinária, para monitoramento e cuidados médicos”. Preta recebeu alta dias depois.

Luta contra o câncer

Diagnosticada com câncer no intestino em 2023, Preta passou por uma delicada cirurgia para a retirada de tumores no dia 19 de novembro do ano passado, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O procedimento, parte essencial de seu tratamento, durou cerca de 18 horas. No dia 11 de fevereiro, a cantora recebeu alta hospitalar e voltou para casa.

Descoberta do câncer

Em janeiro de 2023, Preta Gil foi diagnosticada com câncer no intestino, especificamente com um tumor de seis centímetros no reto. Após o tratamento inicial, que incluiu cirurgia e quimioterapia, a doença entrou em remissão.

Em agosto de 2024, a artista anunciou que o câncer havia retornado, apresentando-se em quatro locais distintos: dois linfonodos na região pélvica, metástase no peritônio e um nódulo no ureter. Esses novos focos indicam a propagação do câncer para outras áreas do corpo.

Atualmente, ela está passando por tratamentos específicos para combater essas recorrências.

Tratamento fora do Brasil

No ano passado, Preta Gil viajou para Nova York para consultar especialistas em busca de alternativas terapêuticas, após os tratamentos anteriores não apresentarem os resultados esperados.

Procurada pela reportagem de IstoÉ Gente, a Dra. Daniélle Amaro, médica oncologista e cofundadora do canal Longidade, explica os motivos que levaram Preta Gil a decidir tratar seu câncer nos Estados Unidos.

“Os pacientes que buscam opções terapêuticas fora do país, em sua maioria, almejam ter acesso a tratamentos mais inovadores que ainda não chegaram ao Brasil, seja por entraves na regulação e aprovação, seja por serem ainda experimentais e apresentarem acesso restrito, via inclusão em pesquisas clínicas que ocorrem em centros específicos espalhados pelo mundo”, analisa a profissional.

“A FDA (Food and Drug Administration), americana, tem um processo de aprovação de novos medicamentos relativamente rápido em comparação com outros países. Embora existam rigorosos padrões de segurança e eficácia, a FDA frequentemente prioriza medicamentos inovadores que podem trazer grandes benefícios aos pacientes. Isso cria um ambiente propício para o desenvolvimento rápido de novas terapias.”

“Em contraponto, no Brasil, essa regulamentação é realizada pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em um processo rigoroso que, embora muito eficaz, tende a ser mais demorado em comparação com a FDA dos Estados Unidos. Isso pode retardar o acesso a novos tratamentos e terapias inovadoras em nosso país, representando um obstáculo no acesso à medicação para o paciente oncológico que pode estar em uma luta contra o tempo”, prossegue Daniélle Amaro.

Segundo a oncologista, a acessibilidade a uma variedade de estudos clínicos de novas medicações nos Estados Unidos é uma das razões pelas quais o país tem se destacado como um centro global de pesquisa médica e desenvolvimento de novas terapias. “Existem vários fatores que contribuem para essa vantagem em relação a outros países. Os Estados Unidos têm uma infraestrutura robusta dedicada à pesquisa médica e contam com instituições acadêmicas de renome, além de financiamento governamental e privado direcionado à pesquisa clínica. Isso permite que novas medicações sejam testadas rapidamente e com mais recursos.”

“Isso propicia aos pacientes acesso a uma ampla gama de estudos clínicos de fase inicial (como os ensaios de fase 1 e 2), o que permite que os pacientes participem de experimentos com tratamentos inovadores que ainda não estão disponíveis no mercado. O próprio paciente, ou seu médico, pode verificar a disponibilidade de ensaios clínicos em andamento em plataformas de registros de ensaios clínicos. O site ClinicalTrials.gov, por exemplo, é uma base de dados amplamente acessada e fornece informações sobre ensaios clínicos em andamento em todo o mundo”, diz.

A Dra. Daniélle Amaro explica que a quantidade de ensaios clínicos realizados no Brasil é menor quando comparada aos Estados Unidos. Isso pode ser atribuído à falta de infraestrutura, financiamento e às dificuldades logísticas para envolver centros médicos e hospitais de todo o país nessa área.

“Apesar de contarmos com algumas instituições de excelência, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ainda enfrentamos limitações no financiamento de pesquisas clínicas. Muitos estudos, especialmente os de fase inicial, dependem de parcerias com empresas farmacêuticas internacionais ou de recursos do governo, que em nosso país são escassos.”

“A adoção de processos de revisão mais ágeis e a colaboração internacional podem ser soluções importantes para melhorar o acesso a terapias inovadoras em nosso país e acelerar o processo de aprovação, possibilitando que mais pacientes possam ter acesso sem precisar sair do Brasil para tal. Infelizmente, isso não acontecerá tão cedo”, finaliza.

A força de Preta Gil

A garra, força, esperança e determinação de Preta Gil em vencer a luta contra o câncer são admiráveis. Ela não deixa a peteca cair e não desiste de sair com vida em meio a uma doença que mata e já matou tantas pessoas.

“Diagnósticos sérios são sempre muito complicados, pois estão diretamente ligados à vida e à forma como será feita sua manutenção. Manter a esperança é uma questão fundamental que não pode ser ignorada. Reflexões positivas são sempre importantes, assim como avaliar e reavaliar as opções disponíveis. Um diagnóstico de ‘ameaça à vida’ impacta profundamente o estado psicológico”, diz o psicólogo Alexander Bez à IstoÉ Gente.

O profissional ainda deixa algumas dicas para lidar com esse momento desafiador:

  • Informe-se sobre sua real condição – Isso exige um preparo emocional adequado.

  • Expresse seus sentimentos – Verbalizar preocupações e emoções pode ajudar a aliviar a tensão.

  • Busque um suporte emocional – Conte com amigos, familiares e também com o corpo médico.

  • Adote hábitos saudáveis – Alimentação equilibrada, sono adequado e atividades físicas fazem a diferença.

  • Seja realista quanto à evolução da doença – Aceite os avanços e possíveis retrocessos do quadro.

  • Concentre-se no que lhe interessa – Ter um propósito a ser buscado gera motivação e promove equilíbrio psicológico.

  • Desvie o foco da dor – Invista em suas principais habilidades e tente minimizar as limitações.

  • Amplie suas estratégias de enfrentamento – Busque alternativas que proporcionem maior conforto psicoemocional.

Referências Bibliográficas

Dra. Daniélle Amaro é médica oncologista, formada pela Faculdade de Medicina do ABC, e cofundadora do canal Longidade. Possui especialização em oncogeriatria pela International Society of Geriatric Oncology (SIOG) e é pós-graduada e mestre em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium Latinoamérica e pela University of Vic - Central University of Catalonia (UVic).

Alexander Bez - Psicólogo; especialista em Relacionamentos pela Universidade de Miami (UM); especialista em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA); especialista em Saúde Mental. Atua na profissão há mais de 27 anos. Autor dos livros: Inveja - O Inimigo Oculto; O Que Era Doce Virou Amargo!!! (Volumes 1, 2 e 3); A Magia da Beleza Feminina; A Paixão e Seus Encantos; e What You Don't Know About COVID-19: The Mortal Virus.