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A força das redes sociais contra o racismo

Crédito: Divulgação

A força das redes sociais contra o racismo (Crédito: Divulgação)

Com todos os defeitos que possam ser imputados à Internet, são inegáveis os benefícios que ela proporciona. Dificilmente, os atos nocivos à humanidade ficam escondidos por muito tempo. “Eles arrumaram e não lavaram a calçada. É coisa de preto, né?”, disse o vereador paulistano Camilo Cristófaro, que acaba de ser expulso do Partido Socialista Brasileiro (PSB). As repugnantes palavras ditas pelo parlamentar não deveriam vir a público, mas o áudio vazou em plenário. E, agora, só não sabe que Cristófaro é racista quem não quiser saber e tapar o sol com a peneira.

Outro caso ocorreu dentro do Metrô, também em São Paulo, durante uma viagem comum. Tudo corria normalmente até a estação Ana Rosa, quando uma mulher negra, Wélica Ribeiro, encostou o seu cabelo em outra passageira, Agnes Vajda, que é branca. “Toma cuidado com o seu cabelo porque ele está muito próximo do meu rosto e pode me causar doença”, disse.

Pelo histórico extremamente racista do Brasil, Agnes tenha imaginado que nada lhe aconteceria, mas aconteceu. Os outros passageiros presentes tiveram se colocaram contra o ato racista e Agnes acabou tendo que se explicar a um delegado de polícia, para onde o caso foi levado. O incidente ganhou as redes sociais e na imprensa livre, como nesta ISTOÉ. Da mesma forma como o vereador Cristófaro manifestou seu mais profundo desprezo pelos negros e depois tentou mentir, dizendo que se referia a fuscas pretos que ele guarda na garagem – um falastrão e covarde, porque nem teve coragem para manter o que disse na Câmara dos Veradores de São Paulo -, a desculpa da mulher no Metrô foi a mais esfarrapada possível.

Apenas como comparação. É evidente que os refugiados ucranianos devem ter acolhida calorosa no Brasil. Têm de ser recebidos de braços abertos em qualquer região e, a eles devamos dar tratamento digno e afável, mas temos que lembrar também que aqui ainda temos um racismo estrutural que a todos envergonha. E mais: as autoridades devem ajudar essa gente no que for necessário. Acontece, no entanto, que nem todos os exilados são tratados da mesma forma, seja aqui ou em outras terras. Aliás, na própria Ucrânia, pessoas advindas da África, sobretudo trabalhadores e também refugiados de países em guerra, como Sudão e Ruanda, são preteridas em relação àquelas pessoas de pele branca e olhos azuis.

No Brasil, poucos imigrantes negros são tratados dignamente. Para ficarmos em apenas um exemplo, vamos lembrar do assassinato do congolês Moïse Kabagambe, no Rio de Janeiro. Como em outros casos, se não fosse a imprensa e a internet, não haveria repercussão. Mas quais são as causas para que, em pleno século XXI, o racismo vigore ainda com muita força no Brasil e no mundo? Por que os racistas, invariavelmente, estão livres, leves e soltos por aí, falando e fazendo tudo que bem entendem? Em primeiro lugar, é porque o tema racismo é complexo e está entranhado nos recônditos da profundeza da alma dos brasileiros. Precisamos acabar com essa chaga depressa, sobretudo a que se esparrama na Internet.