Cultura

A experiência urbana dos nativos

“Lá Não Existe Lá”, de Tommy Orange, conquistou os críticos por abordar temas como herança cultural e exclusão social

Crédito: Christopher Thompson/The New York Times/Fotoarena

COMPLEXO Em seu primeiro romance, Tommy Orange criou uma narrativa polifônica (Crédito: Christopher Thompson/The New York Times/Fotoarena)

Considerado uma das grandes estreias literárias do ano, “Lá Não Existe Lá”, do americano Tommy Orange, chega às livrarias brasileiras em edição da Rocco. A narrativa polifônica explora a experiência de nativos americanos vivendo na cidade de Oakland. Temas como herança cultural, identidade e exclusão social permeiam o romance, narrado a partir do ponto de vista de 12 personagens distintos. A exploração dos povos nativos pelos americanos é abordada de maneira crua, mas realista. Com tramas que se cruzam, o livro é centrado em um pow-wow, evento em que representantes de diversas tribos se reúnem para reviver antigos rituais e costumes, que nas cidades atuais parecem até anacrônicos, e como uma série de acontecimentos errados nesse encontro afetam a vida dos personagens. Membro das Tribos Cheyenne e Arapaho de Oklahoma, Orange fala com propriedade sobre o assunto, e o resultado é um livro poderoso, incômodo e tocante. Indicado para o prêmio National Book Awards, “Lá Não Existe Lá” recebeu elogios de Margaret Atwood, autora de “O Conto da Aia”.