Foto Reprodução George Lucas acreditava que Loucuras de Verão, filme de 1973, seria o seu maior sucesso. Até que um executivo da indústria cinematográfica viu o trabalho dele, perguntou se ele teria outro longa para oferecer e ele fez Star Wars, que mudaria a sua vida. Foram duas trilogias da saga de ficção científica protagonizada por Luke Skywalker e Darth Vader, que acumulou, ao longo dos anos, uma bilheteria de mais de US$ 4 bilhões. Em ordem inversa, a primeira tem os episódios quatro, cinco e seis, estreando nos cinemas em 1977. Os três primeiros são da segunda trilogia. E é a partir do número 1, A Ameaça Fantasma, de 1999, que os filmes voltam ao cinema, agora em 3D. A seguir, Lucas lembra o início da carreira, do sucesso da série, do que faz um bom filme e avisa: não está se aposentando, mas voltando a fazer filmes experimentais. Como é, para o sr., ver Star Wars em 3D? Estou muito empolgado. Trabalhamos muito para conseguir a melhor qualidade em 3D. A nova versão foi feita para colocar o público naquele ambiente onde o filme se passa, envolvendo as pessoas com som e imagem. Estou muito feliz de poder trazer isso para a próxima geração. Vai ser a terceira geração a ver o filme na tela grande e, quando se é jovem, isso é um evento arrebatador. Pode falar sobre a história do filme? A história é sobre pais e filhos. Star Wars é sobre uma geração tendo de tentar melhor o que a geração anterior fez. É sobre uma geração vivendo com os erros que a geração anterior cometeu. É uma história dupla: por que alguém que começa sendo bom termina sendo mau? Isso também reflete a jornada do pai, como ele se torna mau. A história também acompanha o filho, que se recusa a ser mau e, nesse processo, redime o pai. Uma nova geração precisa melhorar o mundo. O que pensa quando o sr. olha para A Ameaça Fantasma e a segunda trilogia? Eu adoro a história. Adoro o fato de que fui capaz de contar toda a vida de Darth Vader, ou, como gosto de dizer, toda a tragédia de Darth Vader, que passa por toda a série e nos conta a história do começo ao fim. O que o fez querer converter o filme para 3D? Originalmente, eu não era um grande fã do 3D. Pensava que era apenas um artifício. Mais tarde, eu estava tentando levar projetores digitais para os cinemas. Estava fazendo uma apresentação em Las Vegas. Bob Zemeckis e Jim Cameron chegaram e me disseram: ?Queremos levar o 3D para os cinemas. Você se juntaria a nós para mostrarmos essa tecnologia para os donos dos cinemas?? Eu respondi: ?Seria bom, porque, para ter o 3D, os cinemas teriam de ser digitais. Minha ideia também seria promovida.? Então, quando vi o teste que fizemos de Star Wars em 3D, percebi como parecia melhor. Fiquei fascinado. Levou muito tempo para desenvolvermos a estrutura na qual poderíamos fazer uma boa conversão do 2D para o 3D. Por que acredita que as pessoas devem ver o filme em 3D? Star Wars foi concebido para ser visto no cinema porque é a experiência otimizada. Tenho trabalhado com 3D já faz algum tempo e agora percebi que a experiência inteira pode ser melhor com essa tecnologia. A ideia por trás de Star Was é que colocar o público dentro de um mundo estranho e isso funciona muito melhor com o 3D e com o som melhorado. Ficou surpreso com o sucesso de Star Wars? Não esperava que o filme fosse tão bem sucedido. Acho que ninguém pensou nisso. Por que houve um espaço de 16 anos entre Star Wars e a segunda trilogia? Como a história se desenvolveu? A segunda trilogia foi uma volta no tempo. Tinha de responder todas as questões apresentadas na primeira: quem era Sith, quem era Jedi. A maior parte de A Ameaça Fantasma e as histórias que se seguiram falam sobre o passado: De onde Darth Vader veio? Como ele cresceu? Como ele se tornou Darth Vader? De certa maneira, isso mais ou menos se escreveu sozinho. Eu tive de trabalhar todos esses detalhes. Qual foi o melhor conselho que recebeu em sua carreira? Francis me deu alguns conselhos no começo, quando eu não me considerava um roteirista. Eu cuidava, basicamente, da parte visual dos filmes. Sabia sobre edição e fotografia, era disso que eu gostava, era o que eu queria. Tive a oportunidade de transformar THX 1138 (um curta-metragem dirigido por Lucas em 1967 e lançado como longa em 1971) em um longa e disse que precisávamos encontrar um roteirista. Ele me disse: ?Não, você tem de aprender a ser um bom roteirista.? Acho que esse foi o melhor conselho que já tive, porque eu odiava escrever. Francis viu meu primeiro roteiro e disse: ?Sim, você é terrível. Deixe-me ajudá-lo.? Depois aprendi a escrever e faço isso na maior parte do meu tempo. E qual o melhor conselho você daria a um jovem diretor? Quando tentar fazer um filme, seja persistente e persevere, não importa o que aconteça. É preciso agir como se a vida dependesse disso e fazer todo o possível para produzir o filme, sob quaisquer circunstâncias. Como o seu estilo de direção se desenvolveu? Sempre fui um grande fã da parte visual dos filmes e era um defensor dos filmes mudos na escola. Gosto de contar minhas histórias com ação e grafismos. Todos os meus filmes foram feitos dessa forma. É só tocar a música e assistir ao filme que funciona, mesmo que não se entendam os diálogos. Quem você considera um diretor visionário? Steven Spielberg é. Ridley Scott e Tony Scott também. E o Jim Cameron. Qual é o segredo para fazer filmes que sobrevivem ao tempo? Um filme precisa ter uma boa história e bons personagens. Esse é o ponto de partida. Precisa ter também precisa de uma forte caracterização psicológica, para que as pessoas possam relacionar o que veem com suas próprias vidas. Eu faço filmes assim. Todos eles têm o que tem sido descrito como ?frivolidade efervescente?, o que os faz flutuar. Nunca fiz filmes sombrios. Não me interesso por isso. Quem são as pessoas que o inspiram? Quando jovem, eu admirava Akira Kurosawa, Federico Fellini, Jean-Luc Godard, Richard Lester e John Ford. Agora que sou mais velho, acho que inspiro mais do que sou inspirado. Como imagina o futuro do cinema? Um tempo empolgante. A tecnologia digital vai democratizar o cinema, o que significa que qualquer um pode fazer um filme. É como ser um escritor: se você tem talento, você automaticamente tem os meios. Por US$ 5 mil de investimento, você consegue construir um estúdio completo e ter efeitos especiais, edição, câmera, tudo. Siga Gente no Twitter!