Maitê Proença Do site Vida Boa Muito feio falar de si, por escrito é pior, ao menos é o que diz a patrulha. Mas todo artista vive disso: Andy Warhol, Woody Allen, Domingos de Oliveira, Clarice Lispector, tantos… Mario Quintana revelou que ao longo de sua obra não há uma palavra que não seja sobre si. Ok, ele transformou o ?si? em magnífica poesia. Outros camuflam as próprias histórias, fazem belas ou más metáforas. Fora disso, na escrita, já que estamos nela, a coisa se chama jornalismo e do tipo isento (existe?), ou tese científica, pesquisa, por aí. Há um excesso de realidade na ficção, concordo, mas o que não desce mesmo é aquela lengalenga morna que se produz para o mercado ou com olho na crítica. Quero crer que se pode tudo, contanto que instigue, encante, desarrume a gente. Digo isso assim por alto… é que dentro de mim, ultimamente, vai um turbilhão que não me deixa produzir nada muito objetivo. É minha terceira crônica para este site de ilustres, mas já não vejo como seguir sem antes despejar estas personalíssimas. E perdoem se vão cruas, sem tempero. Tenho estudado assuntos diversos a fim de ganhar conteúdo e engordar o repertório para quando for me expor artisticamente, nisso me concentro em disciplina monástica já faz meses. Cheguei a uma encruzilhada clássica, quanto mais aprendo mais se abrem vazios de conhecimento e me percebo emburrecendo com o passar dos minutos. Sou uma criatura cheia de braços numa ilha que ladeia outras de um grande arquipélago, quero alcançar novos povoados, mas meus braços nadam em direções distintas, não alcanço lugar algum. Esse é o pesadelo. Simplificando é o seguinte: não sei se leio ou se escrevo. Já esteve aqui? Leia o artigo na íntegra