Economia

A era da bolsa

A baixa taxa de juros do País e a perspectiva de um 2020 com maior crescimento econômico apontam para um ano promissor no mercado de ações

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A Bolsa de Valores vive a sua mais promissora fase — tanto é assim que, em 2019, pela primeira vez ultrapassou um milhão de investidores. O ano foi encerrado com o Ibovespa em 115,6 mil pontos, registrando uma alta anual de 31,6%. E o cenário de bonança não terminou. De acordo com especialistas, as projeções são otimistas para 2020. “Esse ano devemos ter um desempenho suficientemente alto para atender as necessidades de retorno dos nossos investidores”, diz José Roberto Ferreira Savoia, professor titular de Economia na USP. Essa conjuntura se deve a diversos fatores. Em primeiro lugar está a volta da estabilidade econômica brasileira, mérito do ministro da Economia, Paulo Guedes. “A retomada do equilíbrio fiscal foi o grande ponto que mudou o País. Os investidores internacionais começaram a ver que o risco Brasil diminuiu”, diz Savoia. Além disso, encontra-se em baixo patamar a taxa Selic, que torna os investimentos em renda fixa pouco lucrativos. Quem estava acostumado a aplicar o seu dinheiro apenas em opções como poupança, CDBs e Tesouro Direto se convenceu de que era hora de, enfim, comprar ações. No ano passado, a B3 fechou com um aumento de 51,5% no número investidores, um total de 1.678.754 pessoas. Empurrão para a alta foi a ostensiva publicidade de corretoras e cursos especializados que tornam a modalidade mais palatável ao brasileiro.

“Entrei de cabeça investindo em renda variável. Hoje, 100% das minhas aplicações são em ações e fundos imobiliários” Vitor Barbosa de Oliveira, de 28 anos, procurador do Estado do Tocantins (Crédito:Divulgação)

Vitor Barbosa de Oliveira, de 28 anos, faz parte dessa estatística. Procurador do Estado do Tocantins, ele sempre se interessou pela área de investimentos e, desde o tempo de estagiário, aplica uma parte de seu salário mensal em fundos de renda fixa. Após receber o conselho de um amigo, ele resolveu estudar o mercado financeiro e fez o primeiro aporte em renda variável. Hoje, 100% de suas aplicações são em ações e fundos imobiliários. “Tenho um valor guardado para emergências e aplico o restante na bolsa. Meu objetivo é mantê-lo a longo prazo, para minha aposentadoria e até possíveis herdeiros”, diz ele.

A longo prazo

A decisão de Vitor é importante pois, além das ações só proporcionarem um bom retorno a longo prazo, esse é um investimento de risco. A rentabilidade depende de um bom resultado das empresas nas quais se investe, caso contrário, perde-se dinheiro. Para isso, é importante analisar a possibilidade de lucro, qualidade de gestão e nível de endividamento das companhias. Para a grande maioria da população é mais seguro investir por meio de fundos, porque eles são geridos por especialistas que conseguem analisar melhor essas características. “É bom diversificar, comprar fundos que investem em ações e outros ativos de risco”, diz Joelson Sampaio, coordenador do curso de economia da FGV-EESP.