A empreitada de um bairro em Berlim contra a solidão

A empreitada de um bairro em Berlim contra a solidão

"PontosReinickendorf criou cargo de "oficial da solidão" e agora abre dezenas de pontos de conversa em lojas e cafés para idosos, adolescentes, enlutados e imigrantes. Seis em cada dez alemães dizem sentir-se sozinhos.Um bairro do norte de Berlim, na Alemanha, assumiu uma empreitada para combater um problema cada vez maior no país e que afeta todas as idades: a solidão.

Após criar um cargo de "oficial da solidão", hoje ocupado por Katharina Schulz, o distrito de Reinickendorf agora amplia uma rede de empresas locais, padarias, cafés e livrarias que atuam como ponto de encontro pela vizinhança para quem se sente sozinho.

"Elas não apenas exibem nosso logotipo, mas também oferecem apoio ativamente como 'corações abertos e ouvidos atentos'. Ao fazer isso, elas criam locais de encontro facilmente acessíveis, como os populares encontros regulares", diz o distrito da capital alemã em seu site.

O objetivo é alcançar idosos, adolescentes, pessoas em luto e imigrantes que se sentem sozinhos. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que uma em cada seis pessoas (1,7 de de 10) no mundo sofra de solidão, na Alemanha, este índice sobe para seis em cada dez pessoas.

"Caixa da conversa" no supermercado

As iniciativas são múltiplas e vão desde "mesas redondas contra a solidão" até o estabelecimento de "bancos de conversa" pelo bairro. Também há atividades específicas para a promoção da saúde, atividades de lazer, e encaminhamentos para serviços de apoio quando necessários.

Os idosos podem receber orientações sobre cuidados preventivos de saúde, por exemplo, participar de programas educacionais ou obter assistência com a mobilidade.

"Esses serviços de apoio facilitam o acesso a serviços importantes e, ao mesmo tempo, promovem um senso de comunidade", afirma a administração.

No final de fevereiro, por exemplo, foi inaugurado o primeiro "caixa da conversa" da capital, apelidado de "Plauderkasse".

O serviço convida clientes de um supermercado da região a não apenas fazer suas comprar mas reservar um tempo para uma conversa amigável e "sem pressa" com os funcionários e clientes. O serviço em alguns horários específicos será propositalmente mais lento.

"Na vida cotidiana, muitas vezes não temos tempo para uma breve pausa. O caixa oferece exatamente esse momento. Uma conversa amigável enquanto paga, algumas palavras pessoais. Isso pode alegrar o dia de alguém. Quem quiser pode compartilhar algo de sua própria vida. Quem preferir apenas ouvir também é bem-vindo. O importante é: ninguém fica sozinho com seus pensamentos", disse a prefeita do bairro, Emine Demirbüken-Wegner.

Imigrantes e enlutados

No site do distrito, ao menos 53 locais deste tipo estão elencados. Em alguns há atividades específicas organizadas por voluntários criadas para o contato social e intercâmbio cultural. Elas são organizadas para diversos grupos. Adolescentes, por exemplo, podem encontrar aconselhamento sobre carreira e autoconhecimento. Aos idosos, são disponibilizadas rodas de conversa.

Comunidades religiosas e organizações para migrantes também desempenham um papel na estratégia de Reinickendorf.

"Especialmente para pessoas com histórico de migração que são afetadas pela solidão devido a barreiras linguísticas ou diferenças culturais, as organizações de autoajuda para migrantes oferecem um apoio inestimável", diz a prefeitura do bairro.

Iniciativas de apoio ao luto, nos cemitérios do bairro, também fazem parte do programa. "Especialmente após uma visita ao cemitério, muitas pessoas sentem-se solitárias, com todas as emoções que pesam em seus corações", completa o texto.

gq/ra (ots)