Cultura

A emoção da mãe, que agora lança um livro


Fátima Chaves de Melo Buchmann tem vivido com a emoção à flor da pele. Enquanto conversa pelo telefone com o repórter dá para ver que a voz vai embargando. “Quando Gabriel morreu, eu queria me deitar debaixo da cama, desaparecer, morrer com ele. Mas não seria o que meu filho ia querer. Gabriel tinha muita vida, era um jovem que queria mudar as pessoas, o mundo. Até por ele, tinha de continuar.”

A mãe de Gabriel Buchmann lança nesta segunda, 6, no Rio, o livro Gabriel, as Montanhas e o Mundo, em parceria com Alicia Uchôa. O título já diz – o livro é mais abrangente que o filme de Fellipe Barbosa, que estreou na quinta. O simples fato de pluralizar as montanhas e acrescentar o mundo já diz alguma coisa.

“Fellipe é um menino muito querido. Quando me disse que queria fazer um filme sobre o Gabriel eu imediatamente confiei nele, pela pessoa que é. Sabia que, se alguém poderia revelar a filosofia de vida do Gabriel, o desejo na alma dele, seria o Fellipe. Gabriel era um sonhador, mas também tinha os pés muito firmes no chão. Gustavo Franco, o autor de Cartas a Um Jovem Economista, faz um texto bonito sobre ele na orelha do livro.”

Para tentar mudar o mundo, é preciso entendê-lo. Gabriel Buchmann sempre foi contra a concentração de riqueza, as desigualdades sociais, a pobreza. “Quando resolveu viajar para a África foi para estudar aquela miséria. Sou filha de um jornalista que dizia que a única coisa que nos poderia deixar, a seus filhos, era uma boa educação. Somos uma família de professores, todo mundo tem esse desejo de estudar, e transmitir.”

A morte foi uma fatalidade. “Há 30 anos não acontecia isso. Estava um tempo maravilhoso, mas quando Gabriel chegou lá em cima, o tempo mudou no Mulanji. O nevoeiro foi só o começo.” Mesmo apoiando muito a realização, Fátima conta que nunca teve coragem de ler o roteiro – “Chorava demais.” Antes da première em Cannes, passou mal, ficou de cama. Mas estava lá, firme na primeira exibição. Foi duro ver um ator como seu filho, mas ela reconheceu o ‘seu’ Gabriel. Ele está inteiro no livro, que Fátima espera lançar em São Paulo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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