Edição nº2555 07/12 Ver edições anteriores

A educação deve promover a paz

Podemos ilustrar, de uma forma não muito convencional, o esforço que o país vai precisar fazer para melhorar a qualidade da Educação através da primeira lei da termodinâmica. Em qualquer processo de mudança de um estado inicial para um final, incluindo o próprio processo educacional, o sistema vai precisar, por exemplo, absorver calor (q) e realizar trabalho (w), de forma que a diferença de energia entre o estado final e o inicial para fazer essa mudança é dada por:

ΔE = q – W

E mais, ΔE para qualquer variação é determinado apenas pelas energias dos estados inicial e final do sistema, e não depende, portanto, do caminho escolhido para realizar essa mudança.

Desculpem-me, caros leitores, começar este artigo por um caminho nada tradicional, mas fiz essa escolha porque me deu uma saudade enorme de meus tempos de professor de química na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mas não só por isso. Queria também fazer uma analogia com o enorme esforço que vamos precisar fazer para levar a Educação brasileira do estado atual para um novo, no qual as nossas crianças estejam plenamente alfabetizadas aos 7 anos de idade, nossos professores sejam valorizados e nossos jovens atraídos pela carreira do magistério, num ambiente escolar livre de qualquer influência política ou religiosa, mas numa escola em que todos ensinem e todos aprendam, numa convivência harmoniosa entre os diferentes, de fraternidade e de amor ao próximo.

Às vezes imaginamos que existe um só caminho para melhorar nossa Educação. É na diversidade que construímos o melhor possível, porque seremos capazes de sentir a beleza das diferenças na construção de um ser pleno, na perspectiva de chegar próximo a Deus. O Brasil é um país de culturas diversas, de muitas juventudes, e, sendo assim, não podemos pensar na perspectiva de uma só escola para todos.

O mundo, e não só o Brasil, está precisando mais do que nunca de solidariedade e de tolerância. A Educação é a grande porta de entrada para a justiça social e o desenvolvimento pleno das pessoas, em consonância com o artigo 205 da Constituição Federal. Precisamos fazer um grande esforço de mudança para que essa oferta não seja o ponto de partida da desigualdade, no sentido de que o futuro das pessoas já seja determinado pela qualidade da escola ou pelo local onde ela se encontra, se na zona urbana ou rural, no Norte ou no Sul do país. Qualidade com equidade deve ser o nosso lema, de tal maneira que a Educação seja de fato o novo nome do desenvolvimento na perspectiva de promover a paz.

Exatamente há vinte anos tive um dos maiores privilégios de minha vida, se não o maior, de conceder, quando reitor da UFPE, o título de Doutor Honoris Causa ao então presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Precisamos aprender a perdoar, a viver em paz com os diferentes, a ter tolerância e a buscar harmonia na convivência. Penso que Mandela nos ensinou tudo isso. Assim, o que precisamos fazer neste momento é não só desejar sucesso ao novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, mas ajudá-lo nessa árdua e dura tarefa de levar a nossa Educação do atual estado para um no qual nossos alunos estejam plenamente preparados para uma vida plena de felicidade. Boa sorte, ministro!

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