Semanal

A desistência de Doria muda quadro eleitoral

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

João Doria (Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil)


A decisão de João Doria de desistir de disputar a presidência da República, que deve ser confirmada em pronunciamento que ele fará na tarde desta quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, surpreendeu o mundo político brasileiro e deve ter conseqüências importantes no quadro eleitoral brasileiro. Doria vai anunciar que permanece no governo paulista até o final do mandato, em dezembro, e também não deve disputar a reeleição. Deverá também deixar o PSDB e se filiar ao União Brasil, do deputado Luciano Bivar, caminho, aliás, que também será seguido por Sergio Moro. O ex-juiz, assim, seria candidato a deputado federal.

Como Doria permanecerá no governo de São Paulo, o vice Rodrigo Garcia pediu exoneração o cargo de secretário de Governo de São Paulo e vai disputar o governo fora do cargo, embora com o apoio de Doria, que permanecerá governador. Nos bastidores, Garcia tem se mostrado enfurecido com a decisão do governador, pois vinha esperando o momento de assumir o governo para deslanchar sua candidatura.

A decisão de Doria de desistir da candidatura vinha sendo amadurecida nos últimos dias, mas ganhou forma esta semana, após dirigentes importantes do partido terem dado apoio ao ex-governador gaúcho Eduardo Leite, que renunciou ao cargo de governador mas não deixou o PSDB com a disposição de enfrentar o governador paulista na convenção marcada para julho. Apesar de ter vencido as prévias tucanas em novembro, por 54% a 44%, Doria temia que os caciques do partido pudessem lhe puxar o tapete na convenção. Sobretudo porque o atual presidente do partido, Bruno Araújo, não vinha defendendo sua candidatura como devia e mostrava-se disposto a aderir ao movimento que pendia para Eduardo Leite.

Como percebeu que não poderia levar adiante uma candidatura apenas por sua vontade, Doria praticamente desistiu de concorrer ao participar de um jantar, na noite desta quarta-feira, na casa do empresário Marcos Arbaitman, seu amigo de longa data, quando fez um discurso de 53 minutos, lembrando das suas realizações no governo de São Paulo. “Não faço imposição do meu nome, pelo contrário. Não parto do pressuposto que tem que ser eu de qualquer jeito. É preciso ter espírito elevado”, disse Doria no jantar, dando sinais de que realmente iria desistir.

Na manhã desta quinta-feira, o governador de São Paulo chamou os assessores de imprensa e cancelou todos os eventos que faria, inclusive o da inauguração de uma ala do Museu do Ipiranga, e só deixou confirmado o pronunciamento que fará nesta quinta-feira às 16h, no Palácio dos Bandeirantes, quando reunirá todos dos prefeitos para um evento municipalista. Nesse evento, Doria deverá anunciar inclusive os próximos passos de seu futuro político.





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