Desde que o mundo é mundo, o homem olha para o céu atrás de outras possibilidades de moradia além da Terra. Esse fascínio ganhou tração nos últimos dias, quando foi descoberto um novo planeta com potencial de residência. A revelação vem a acrescentar no encanto extraterrestre, que ganhou forte impulso há 30 anos, desde que foi descoberta a existência de planetas fora do nosso sistema solar, também conhecidos como exoplanetas.

Nessas três décadas foram encontrados mais de 15 mil novos planetas, 5.502 foram catalogados oficialmente e outros 9.819 estão na “fila de checagem”, segundo a NASA. Dessas descobertas, “81 foram registradas somente este ano”, afirma Marcella Scoczynski, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e participante de projetos juntos à NASA e à Agência Espacial Europeia (ESA). Isso revela uma média de achados extraterrestres de um planeta a cada semana.

Entre as novas descobertas, comemora-se agora o encontro científico do exoplaneta TOI-733b. Segundo a revista Astronomy & Astrophysics, uma nova “Super Terra”, um achado raro.

O novo planeta encontra-se a “apenas” 245 anos-luz de distância – perto demais em termos de distância astronômica – possui pouco menos do que o dobro do raio da Terra e orbita uma estrela ligeiramente menor do que o Sol.

“O TOI-733b é um exoplaneta notável por ser uma das poucas Super Terras oceânicas conhecidas”, afirmaram os cientistas responsáveis pela descoberta, em comunicado. O exoplaneta foi identificado neste ano graças aos dados coletados pelo Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), uma ferramenta crucial para a busca de planetas fora do nosso Sistema Solar.

Como se trata de uma descoberta muito recente, ainda não se sabe a composição exata do planeta. Ao certo, os descobridores criaram um modelo e verificaram que se o exoplaneta alguma vez teve uma atmosfera de hidrogénio e hélio semelhante à de Netuno, é provável que a tenha perdido. Nesse caso, porém, o exoplaneta teria formado uma atmosfera secundária composta por elementos mais pesados.

Outra possibilidade, segundo o artigo da Astronomy & Astrophysics, é que TOI-733b seja um mundo oceânico. Nesse cenário, aponta a revista, embora tenha perdido o hidrogénio e hélio, a atmosfera remanescente seria rica em vapor de água, que é mais resistente aos processos de evaporação. Assim, ele não teria sofrido perda significativa de massa atmosférica.

A descoberta da Super Terra
Marcella Scoczynski, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (Crédito:Divulgação)

“81 planetas foram registrados somente este ano.”
Marcella Scoczynski, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná

A verdade completa da descoberta é que a indicação de presença de água no TOI-733b é o que mais empolga os cientistas – somente em 30% dos exoplanetas existe o elemento.

No entanto, os astrônomos ainda não podem afirmar com certeza se essa água consta em estado líquido ou em alguma outra forma de agregação. “A possibilidade de ser líquida é fundamental para considerar a habitabilidade de um exoplaneta, pois é uma condição primordial para a vida como a conhecemos”, conclui Marcella Scoczynski.