Internacional

A defesa da civilização

Diante da escalada do terrorismo, o presidente Emmanuel Macron assume a liderança na promoção dos valores ocidentais e vai para o ataque contra os radicais islâmicos

Crédito: PETIT TESSON / POOL / AFP

“Sou a favor de podermos escrever, pensar e desenhar livremente no meu país” Emmanuel Macron, presidente da França (Crédito: PETIT TESSON / POOL / AFP)


PROTESTOS Mulheres islâmicas pedem boicote à França: “Macron é uma vergonha” (Crédito: Majid Asgaripour)

O ideal iluminista de liberdade está sob ataque na França. O país, laico por tradição, assiste ao crescimento de ataques terroristas cometidos por fanáticos muçulmanos que não aceitam as regras da democracia e o convívio com a diferença. Nesse contexto, o presidente Emmanuel Macron apresentou-se, nas últimas semanas, como um líder com disposição para o enfrentamento religioso e que está disposto a ir até as últimas consequências para defender os valores ocidentais. A disputa dentro das fronteiras do país já ecoa por toda a Europa e o Oriente Médio, onde manifestantes exigem desculpas e pedem a morte de Macron. Ele, por sua vez, tem afirmado repetidamente que “não cederá ao terror”. “A França está na mira da loucura islâmica por seus valores, seu gosto pela liberdade e por permitir que todos creiam livremente”, disse.

COVARDIA Simone Silva, de 44 anos, foi esfaqueada dentro da Basílica de Notre-Dame, em Nice: vítimas inocentes (Crédito:Divulgação)

A morte do professor Samuel Paty, 16 de outubro, disparou uma nova onda de violência que parece estar longe do fim. Paty foi decapitado depois de apresentar as charges satíricas da revista “Charlie Hebdo” do profeta Maomé para seus alunos em sala de aula. Em outro ataque, na cidade de Nice, treze dias depois, um jovem jihadista armado com uma faca matou três pessoas. O atentado aconteceu dentro da Basílica de Notre-Dame. Entre os mortos estava a brasileira Simone Barreto Silva, de 44 anos. Na Arábia Saudita, um vigia da Embaixada da França foi esfaqueado. Na cidade de Avignon um mulçumano foi morto após ameaçar policiais com uma faca. No último episódio de violência recente dentro da França, um padre ortodoxo foi baleado no interior da igreja em Lyon. Fora do solo francês, o ataque em Viena, Áustria, na segunda-feira 2, que matou quatro pessoas, contou com a solidariedade imediata de Macron.

Ataques raivosos

Sua resposta aos desmandos cometidos pelos radicais islâmicos tem sido rápida e firme. Em entrevista à emissora de TV Al Jazeera, ele disse que compreende o choque dos muçulmanos, mas continuará defendendo “a liberdade de expressão, de imprensa, de pensar e de desenhar”. “Não vamos desistir de nossos cartuns”, afirmou. Para o filósofo Ascísio dos Reis Pereira, o presidente francês é um liberal conservador que “aposta no processo racional da política”. “Macron faz uma oposição ao extremismo e pede respeito às liberdades. As ideias da tradição iluminista francesa norteiam o seu governo”, explicou o filósofo. A defesa na racionalidade, porém, não é bem vista no mundo islâmico. E os ataques ao presidente francês não param. Há manifestações nas ruas, boicotes comerciais e falas raivosas contra ele.

No Irã, o jornal Vatan Emrooz publicou um desenho do presidente francês representando o demônio. Em Bangladesh, 40 mil pessoas protestaram contra Macron. Também houve manifestações no Iraque, no Paquistão e na Síria. O líder checheno Ramzan Kadyrov disse que o presidente francês estava “começando a parecer um terrorista”. Em nota oficial, a Arábia Saudita condenou as charges do profeta Maomé. No Catar, na Jordânia e no Kuwait produtos franceses foram recolhidos das lojas. A ameaça mais perigosa, no entanto, vem do grupo terrorista Al-Qaeda: “Matar aquele que insulta o profeta é o direito de todo o muçulmano capaz de o fazer”, sugeriu o grupo por meio de um comunicado. Para o teólogo e cientista social Sheikh Jihad Hammadeh, que vive no Brasil, as caricaturas de Maomé “ofendem a fé de 1,5 bilhão de islâmicos em todo o mundo. A representação da imagem é sempre pejorativa. Por isso, quando o Porta dos Fundos satirizou a figura de Maria, nós também manifestamos nosso desagrado”, disse o teólogo.

REAÇÃO Franceses fazem manifestação em Paris em repúdio ao assassinato do professor Samuel Paty

Por outro lado, há um grande apoio a Macron na Europa. O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, sugeriu “solidariedade” ao presidente francês. O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques islâmicos dentro da França. O apoio europeu é estendido ao satírico Charlie Hebdo que acaba de colocar mais lenha na fogueira. O semanário publicou uma charge do presidente da Turquia, Recep Erdoğan. Na ilustração o presidente turco levanta a saia de uma mulher coberta com um véu. Erdoğan é um forte opositor do presidente francês. O líder turco disse que os muçulmanos estão “sujeitos a uma campanha de linchamento semelhante àquela contra os judeus na Europa antes da Segunda Guerra Mundial” e convocou os muçulmanos a protestarem. A ofensiva contra Macron é realmente violenta, mas como todo bom líder o presidente não se amedronta. O que está em jogo, afinal, é a defesa da civilização.

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