A cristianização de Haddad

Mais do que um arroubo retórico ou desajuste na dose do rivotril, segundo as piadas mais infames, o discurso contundente de Cid Gomes, em evento do PT no Ceará, constituiu a pá de cal na candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República. Acabou. Não bastassem a vitalidade eleitoral exibida por Jair Bolsonaro, a consolidação de mais de 60% dos votos no candidato do PSL e a atração natural que um concorrente, digamos, com a “mão na faixa” exerce pela mera expectativa de poder, as cáusticas, mas sinceras palavras do político cearense representaram uma imensa janela de oportunidade para que partidos do espectro de esquerda — convocados a um cínico “pacto democrático” — cristianizassem o preposto de Lula.

Campanha comporta tudo, até proselitismo religioso de ateus declarados, como Manuela D’ávila. Mas, em política, o termo “cristianização” nada tem a ver com o processo de conversão de indivíduos ao cristianismo. Remonta à campanha presidencial de Cristiano Machado, em 1950. Traído ou “cristianizado” por políticos do próprio partido, o PSD, o então candidato a presidente da República acabou trocado durante a corrida eleitoral por Getúlio Vargas, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Resultado: em 3 de outubro daquele ano, Vargas regressou ao Palácio do Catete, após permanecer no poder entre 1930 e 1945. Depois de 1950, o fenômeno da cristianização ocorreu em 2002, quando Serra foi abandonado pelo PFL, e em 1989, na eleição de Collor, em que tanto o PFL cristianizou Aureliano Chaves, quanto o PMDB fez o mesmo com Ulysses Guimarães, em favor do ex-caçador de marajás.

Claro que o uso da expressão para se referir a Haddad guarda mais relação com abandono do que com traição propriamente dita. Na verdade, quem se sentiu traído, desde o nascedouro da campanha, foi Ciro Gomes. É notório que Lula da cadeia fez o diabo para desidratar a candidatura do PDT. Atuou para implodir seu arco de alianças e, conforme recente reportagem de ISTOÉ, chegou a articular envios de remessas de dinheiro por meio de jatinhos, a fim de cooptar caciques do Nordeste para o palanque de Haddad.

Ademais, o partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, votou contra o Plano Real, não topou participar da coalizão em torno de Itamar Franco pós-impeachment de Collor e que buscou a hegemonia por meio do aparelhamento do Estado, da corrupção institucionalizada e da perseguição inclemente a adversários políticos, muitos tratados como “inimigos a eliminar”, não dispõe de autoridade moral para entoar, aos 48 do 2º tempo, a cantilena da aliança do “centro democrático” — desde que encabeçada pelo PT. Repetindo a sentença-sinceriCIDio de Gomes: o partido que adota a mentira como dogma de ação “vai perder e vai perder feio”.


+ Advogada é morta e tem corpo carbonizado no Rio de Janeiro
+ Morre Liliane Amorim, influencer de Juazeiro do Norte, após complicações da realização de lipoaspiração

Veja também

+ Restaurante japonês que fez festa de swing lança prato chamado “suruba”
+ 5 benefícios do jejum intermitente além de emagrecer
+ Jovem morre após queda de 50 metros durante prática de Slackline Highline
+ Conheça o phloeodes diabolicus "o besouro indestrutível"
+ KTM lança a nova e espetacular 1290 Super Adventure S
+ 7 tendências de design de interiores que vão bombar em 2021
+ Chef revela o segredo de como fazer ovos mexidos cremosos de hotel
+ Cientista desvenda mistério do monstro do Lago Ness. Descubra!l
+ Boletim médico de apresentador da RedeTV! indica novo sangramento no cérebro
+ Yamaha se despede da SR 400 após 43 anos de produção
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa
+ Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2021 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.