Comportamento

A crise do Metropolitan

Símbolo do poderio global dos Estados Unidos, museu de Nova York estuda a venda de obras do acervo para cobrir custos e pagar dívidas

Crédito: TIMOTHY A. CLARY

SITUAÇÃO DIFÍCIL A pandemia afastou o público e deixou a instituição com um déficit de US$ 150 milhões (Crédito: TIMOTHY A. CLARY)

Um dos maiores símbolos da civilização americana está enfrentando uma complicada crise econômica. O Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova York, cujo acervo dimensiona o poderio global dos Estados Unidos, registrou um déficit anual de US$ 150 milhões, fruto da queda do movimento durante a pandemia. A situação é tão grave que o Metropolitan cogita a venda de algumas obras de arte para fazer caixa e cuidar de toda sua enorme coleção de mais de 2 milhões de obras, divididas em 17 departamentos. O alerta foi dado pelo próprio diretor do museu, Max Hollein, que declarou para o jornal The New York Times ter iniciado os contatos preliminares com leiloeiros e curadores para se desfazer de algumas peças. “Este é o momento em que precisamos manter nossas opções em aberto”, disse Hollein. “Nenhum de nós tem uma perspectiva completa de como a pandemia vai se desenvolver e seria impróprio não considerar isso, quando ainda estamos nessa situação nebulosa”. Antes da Covid-19, o museu recebia 7 milhões de visitantes por ano.

“Se o propósito de um museu é colecionar, conservar e exibir arte, vender uma obra é uma espécie de traição”
Regina T. de Barros, historiadora da arte

Vender obras de arte do acervo para pagar contas é considerado um sinal de fraqueza institucional e, inclusive, uma iniciativa vetada antes da pandemia pelo órgão que regulamenta a atividade museológica nos Estados Unidos, a Associação Nacional dos Museus de Arte. Regra geral, os museus só são autorizados a se desfazer de itens de seu acervo quando o dinheiro arrecadado serve para reinvestir em outras coleções nas quais há lacunas importantes. Para cobrir gastos, a venda é quase uma afronta. Mas a pandemia mudou o cenário e flexibilizou práticas antes condenáveis. “Se você entende que o museu é um lugar cujo propósito deve ser colecionar, conservar e exibir arte, vender uma obra é uma espécie de traição”, diz a historiadora da arte Regina Teixeira de Barros. “Isso só pode acontecer de forma muito calculada e por razões especiais, para melhorar a própria coleção”.

Queda de receita

Na dianteira do Metropolitan, outros museus americanos tentaram se desfazer de obras nos últimos meses. O Museu do Brooklin, por exemplo, arrecadou US$ 31 milhões com vendas em leilões nos EUA e na Europa. O Museu de Baltimore seguia o mesmo caminho e pensava arrecadar US$ 65 milhões com o leilão de três telas, incluindo uma Santa Ceia, de Andy Warhol, mas o evento foi cancelado. Para o diretor do Museu de São Francisco, Thomas Campbell, que já dirigiu o Metropolitan, a prática é perigosa se o abatimento dos custos operacionais com a venda de obras se tornar uma rotina, o que pode transformar o “desinvestimento” em uma dependência. No Brasil, houve o caso do Museu de Arte Moderna (MAM), do Rio, que se desfez, em 2020, do quadro “N°16”, de Jackson Pollock, por um valor estimado de US$ 13 milhões. “É o típico caso de uma venda mal calculada e, no caso do MAM, será apenas um paliativo”. O “N° 16” chegou a ser avaliado em US$ 25 milhões e era o único quadro do artista na América do Sul.

As dificuldades do Metropolitan são notáveis e refletem os problemas de todo o setor. Anteriormente, um dos cinco museus mais visitados do mundo, agora sofre com salas de exibição vazias. Seu gigantismo, só comparável ao do Louvre, em Paris, ou ao do British Museum, em Londres, torna a situação mais difícil. Com altos custos fixos de conservação do acervo e com pesquisa científica, a queda na receita vira um problema de difícil solução. Em agosto, o Metropolitan anunciou o corte de 350 funcionários, com eliminação de cargos, aposentadorias voluntárias e licenças. Em abril, outras 80 vagas tinham sido eliminadas. Com orçamento de US$ 320 milhões, a instituição computou perdas inéditas por causa da pandemia. A receita de doações e de bilheteria, que representava 28% do total, praticamente zerou. Outras receitas, como as de contribuição privada e de projetos subsidiados, equivalentes a 25%, caíram drasticamente.

O Metropolitan é um dos mais espetaculares museus do mundo. Entre seus inúmeros destaques estão a magnífica coleção de arte egípcia, com 36 mil objetos que datam desde o paleolítico até o período romano (300.000 a.C a 4 d.C), que o torna um dos principais museus de egiptologia fora do Cairo. O acervo de pintura européia, que cobre desde o século 13 até o 20, conta com 1,7 mil obras, incluindo o “Autorretrato”, de Rembrandt, “Garoto com Margarida”, de Auguste Renoir, “A Negação de São Pedro”, de Caravaggio, e “O Ator”, de Pablo Picasso. Esse quadro, por sinal, rendeu uma boa notícia para o Metropolitan na semana passada. O museu venceu uma querela judicial em torno da obra e garantiu sua posse. Descendentes dos colecionadores judeus Paul e Alice Leffmann reivindicavam a tela, doada ao museu em 1952, e pediam US$ 100 milhões de indenização. Mas o Metropolitan levou a melhor. Resta saber agora se o museu superará a crise atual e recuperará o equilíbrio financeiro sem precisar se desfazer de seus preciosos quadros.


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DESTAQUES DO ACERVO
Coleção do Metropolitan soma 2 milhões de peças, divididas em 17 departamentos

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