Brasil

A corrida pela convergência digital

Governador João Doria negocia investimentos e parcerias na Califórnia com big techs e estúdios. São Paulo receberá uma filial da Singularity University e um museu de arte e ciência

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PARCERIA Da esquerda para a direita: Gregg Zehr, presidente do Amazon Lab 126, Alex Szapiro, presidente da Amazon Brasil, os secretários Patricia Ellen e Sérgio Sá Leitão, Cleber Morais e Paulo Cunha, da AWS, e o governador João Doria (Crédito: Divulgação)

VIRTUAL Robô simula conversa com o uso de inteligência artificial na Singularity University (Crédito:Divulgação)

As grandes companhias de tecnologia, conteúdo e telecomunicações avançam na convergência digital, que exige cada vez mais a integração entre as operações e a diversificação de sua atuação. A crise das TVs (aberta e a cabo) e a explosão do streaming (liderada pela Netflix, e que mobiliza Warner/HBO, Disney e Apple), somadas à perspectiva de implantação da rede 5G, mudaram o cenário das big techs, que correm para revisar seus modelos de negócios. São Paulo pode se beneficiar disso. Em busca de investimentos na área, o governador João Doria cumpriu uma agenda de quatro dias de visita aos líderes do setor na Califórnia (EUA). Além de negociar recursos e parcerias, Doria ouviu das companhias que o marco regulatório do setor deve ser atualizado para estimular novas iniciativas. “Ficou claro em várias conversas a preocupação de todas essas empresas que atuam no Brasil. A gente tem uma lei de informática e uma lei de telecomunicações obsoletas, assim como um marco regulatório audiovisual completamente defasado”, diz Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura e Economia Criativa.

O governo paulista já vinha atuando na área. Doria montou uma força-tarefa para agir no âmbito estadual para acelerar as articulações no Congresso e nas agências reguladoras. Na esfera regional, São Paulo fez neste ano um trabalho de simplificação tributária que foi elogiado pela Amazon e pela Apple nas visitas, segundo Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico. A companhia com maior interesse imediato, no entanto, é a Warner, que também foi visitada por Doria. A empresa, que pertence à AT&T, dona da Sky, aguarda a aprovação de sua fusão com a HBO, que já ocorreu em 17 países. A legislação brasileira proíbe o negócio, e a Anatel vai discutir o caso no próximo dia 12. Segundo o governador, a companhia planeja aportar R$ 1 bilhão em dois anos localmente se o negócio for destravado. A Netflix, que também fez parte do roteiro, fará um aporte de R$ 350 milhões para produzir 30 séries no Brasil. Já na Disney foi estabelecido um programa de incentivo para a produção de cinema e séries com a Film Comission de São Paulo.

Todas essas parcerias fazem parte da estratégia de criar um polo de tecnologia paulista. Um dos principais projetos do governador é a implantação do Centro Internacional de Tecnologia e Inovação (Citi) na capital, uma miniversão local do Vale do Silício californiano. Ele será localizado na região do atual Ceagesp, entreposto federal na região oeste da cidade que será deslocado para outro local, e também na área do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, anexa à USP. É nesse entorno que ficará o campus da filial brasileira da Sigularity University. Esse centro de ensino para executivos focado em inteligência artificial e novas tecnologias, sediado na Califórnia, tem atraído CEOs do mundo inteiro. No Brasil, terá direção da HSM, do grupo educacional paulista Ânima que já tem o projeto do edifício pronto. Deve receber, segundo o Reynaldo Gama, co-fundador da Singularity no Brasil, mil alunos diariamente

ANIMAÇÃO Detalhes da sala do fundador da Walt Disney Company. Governador negociou com o estúdio o incentivo à produção de cinema (Crédito:Divulgação)

“Os jovens querem tecnologia, querem ser empreendedores”, diz Doria. No Lab 126, centro de inovação e criação de aparelhos para os consumidores da Amazon na Califórnia, o governador assinou uma parceria entre o governo do Estado e a AWS, o braço da companhia para serviços de computação em nuvem. O objetivo é oferecer acesso ao ambiente de aprendizagem virtual da AWS para o Centro Paula Souza. O programa começa em janeiro do próximo ano.

Nova instituição

Também focado em ciência e inovação será o museu a ser inaugurado na capital paulista até 2022. O novo espaço na avenida Paulista incluirá a restauração de um palacete da época de ouro do ciclo cafeeiro e a construção de um anexo, a ser implantado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Terá mentoria do centro interativo Exploratorium, de São Francisco. O espaço será batizado de SteamLabs. Ainda na área curatorial, o MIS Experience, museu inaugurado este ano, receberá duas exposições. Uma sobre a história da holografia, e outra usando essa tecnologia para mostrar o mundo dos dinossauros. Ambas são frutos da parceria assinada com a Base Entertainment, especializada na técnica.

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