Economia

A corrida do ouro

Em meio à instabilidade econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, valor do metal subiu 55,9% em 2020 e foi porto seguro para investidores

Crédito: Olivier Le Moal

Fontes: Economatica e CMA

O ano de 2020 ficou marcado pela imprevisibilidade. Em boa medida, as incertezas foram causadas pelo novo coronavírus e a maneira voraz como os efeitos da pandemia fustigaram economias e mercados mundiais. Nesse cenário volátil e extremamente mutável, o investimento em ouro tornou-se uma fonte confiável e segura para evitar perdas no mercado de ações. O metal amarelado e reluzente, alvo de cobiça desde que o mundo é mundo, valorizou-se em meio à instabilidade que rondava investidores. A valorização em 2020 foi de 55,9% na Bolsa de Valores brasileira, a B3, o que converte o ouro no melhor investimento do ano. Parte desse desempenho é decorrente também do aumento do dólar, que teve alta de 29,7%.

O valor do ouro no Brasil é calculado a partir da combinação de dois fatores: a cotação da unidade da onça-troy – cerca de 31 gramas de ouro – na Bolsa de Valores de Nova Iorque, e o valor do dólar comparado ao real na cotação do Banco Central. “Qualquer desequilíbrio em um desses pêndulos pode fazer com que o preço do metal suba drasticamente”, disse Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas, empresa especializada na comercialização física do metal. Ao longo do ano passado, a cotação do ouro variou, com quedas sendo registradas sobretudo no período entre janeiro e março. A partir daí, o medo da pandemia se acentuou, especialmente no Brasil. Países aumentaram as medidas restritivas e a circulação de pessoas diminuiu. Empresas fecharam ou reduziram o número de funcionários. Em agosto, pela primeira vez na história, a onça superou os US$ 2 mil, quase R$ 12 mil na cotação da época.

Conjuntura tumultuada

“Todas as principais economias do mundo sofreram uma série de restrições e dificuldades para ter uma recuperação em meio à pandemia. Além disso, os juros baixos e o temor da inflação também fazem com que os investidores procurem um porto seguro para evitar perdas”, afirmou Felipe Cunha, gestor de recursos da Órama, fundo de investimentos sediado no Rio de Janeiro. Já Cavalcante olha para a conjuntura tumultuada para explicar a alta do metal. “Se nós olharmos os últimos 3 ou 4 anos, nós temos um cenário de crises constantes, internacionalmente e também no Brasil”, ressaltou Cavalcante. “Há uma guerra comercial entre China e Estados Unidos, disputas no Oriente Médio, a vitória do Joe Biden na eleição americana e a polarização política após a vitória de Jair Bolsonaro, em 2018. São episódios que mudam o cenário político e econômico, e impactam a procura pelo ouro.”

Apesar de estar disponível no mercado, o ouro é um bem finito, ou seja, pode acabar um dia. Com isso, o metal é raro o suficiente para ser considerado valioso a despeito das variações do mercado. Outro fator importante para explicar essa valorização é o fato de o metal não ser corrosivo, mas extremamente durável. “Entre 2010 e 2019, o mercado para negociações de ouro cresceu em uma proporção muito maior do que as reservas disponíveis do metal no mundo. Se essa demanda continuar, ele certamente ficará ainda mais valorizado”, explicou Cunha.

Qualquer pessoa pode investir em ouro, ainda que o público majoritário neste mercado seja de pessoas das classes A e B. “Hoje está mais democratizado”, assinala Cavalcante. Há basicamente três formas: comprando o metal fisicamente, adquirindo contratos na Bolsa de Valores ou aplicando em fundos de investimento que acompanham a variação do ouro na Bolsa. No mercado acionário, via de regra, são duas as opções possíveis de contrato: 10 ou 250 gramas. O primeiro custa aproximadamente R$ 2,8 mil e o segundo, cerca de R$ 70 mil. “Os investidores preferem adquirir 250 gramas, porque é mais fácil de vender depois e a rentabilidade é maior. Mas isso não impede que uma pessoa com menor poder aquisitivo possa ir lá e adquirir uma quantia menor”, disse Cavalcante.

“Temos um cenário de crises econômicas e políticas constantes e isso impacta a procura pelo ouro” Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas (Crédito:Divulgação)

Ouro em casa

Os especialistas divergem quando o assunto é a aquisição física ou a utilização de um fundo de investimento para a manutenção do metal. Para Cunha, a aquisição física é mais complicada porque há uma insegurança premente no país e ter ouro em casa pode ser algo perigoso. “Ao utilizar um fundo de investimento, o cliente não precisa se preocupar em gerenciar nada. Tudo fica na mão do especialista”, justificou. Para Cavalcante, ter alguém cuidando do seu investimento pode ser vantajoso, mas existem diversos relatos de fundos que faliram. E quando isso acontece, há um fundo garantidor do governo para ressarcir o cliente, mas a dor de cabeça é enorme. “Ter ouro em casa é como cuidar de um carro. Você não resguarda todos os seus bens? É a mesma coisa. Além disso, o ouro físico dá a segurança de ter o investimento ao seu alcance a qualquer momento”, rebate Cavalcante.

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Para 2021, o cenário de valorização do metal deve ser semelhante ao verificado no ano passado. “Crises são cíclicas. A pandemia não será resolvida do dia para a noite. Isso certamente pode impactar o preço do metal e sua respectiva valorização no mercado”, disse Cunha. A sugestão do especialista é que o investidor profissional tenha pelo menos 30% da sua carteira vinculada ao ouro. A imprevisibilidade continua e não há prazo para que toda população esteja vacinada. A política externa do Biden ainda é uma incógnita e, no Brasil, os próximos dois anos do Bolsonaro só reforçam a incerteza. Essas nuances pressionam o dólar e, por consequência, valorizam o ouro. Ao que tudo indica, a corrida pelo metal dourado vai continuar intensa neste ano. É inevitável: quando a insegurança cresce, os investidores se voltam para o ouro.

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