Chineses e americanos

“American Factory”, um dos concorrentes do brasileiro “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, na categoria de melhor documentário do Oscar, é oportuno e revelador. É um filme estratégico sobre os novos tempos. A partir dos problemas em uma fábrica no interior dos Estados Unidos vemos uma fissura no capitalismo industrial que tende a se alastrar. A China tenta propagar mundo afora um modo de produção despótico, em que as pessoas trabalham como robôs. E os americanos resistem. Na que promete ser a disputa mais quente do Oscar, dia 9, pelo menos no Brasil, o polêmico longa de Petra Costa enfrentará um a obra de peso. Dirigido por Julia Reichert e Steven Bognar, e comprado pela Netflix e pela Higher Ground, produtora de conteúdo de streaming do casal Barack e Michelle Obama, “American Factory” escancara o funcionamento do autoritarismo de mercado chinês.

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O assunto do filme é a cultura operária, com a economia subordinada à questão cultural. Basicamente, ele expõe os conflitos que uma fabricante chinesa de vidros automotivos, chamada Fuyao, enfrenta para tentar implantar sua maneira de produzir numa antiga fábrica que comprou da GM nos Estados Unidos, em Dayton, Ohio, em 2014. A fábrica estava desativada desde 2008. Dayton, cidade dos diretores de “American Factory”, faz parte do “corredor da ferrugem”, apelido pejorativo da região que melhor expressa a decadência da indústria de carros americana, desde o início do século. A Fuyao chega cheia de dinheiro para gerar empregos, mas busca uma eficiência absurda e lucros rápidos, num regime de semi-escravidão para os padrões americanos.

A empresa foi transparente a abriu todas as portas de suas fábricas e muitos de seus números para a produção do filme. Raras vezes uma multinacional expôs tanto suas entranhas durante um processo de aquisição e de consolidação de uma operação estratégica, como a Fuyao. O chairman da empresa, Cao Dewang, é personagem fundamental da história. Ele expressa a vontade chinesa de superar obstáculos e o orgulho de seu sistema de produção, que busca uma eficiência obsessiva e menospreza o modo ocidental de fazer as coisas.

A narrativa é construída com as falas das próprias personagens, que se intercalam com cenas de reuniões,
de linhas de produção de vidros e de eventos corporativos. Não há voz em “off”, tudo se revolve na montagem, o que deixa o filme objetivo e equilibrado, intercalando pontos de vista que se opõe e expondo diferenças culturais que talvez venham a se mostrar intransponíveis. Além de ser ótimo e esclarecedor, “American Factory” tem costas quentes: é apoiado pelos Obama. Por tudo isso, vai ser difícil “Democracia em Vertigem” levar o prêmio.

Na disputa mais quente do Oscar, pelo menos no Brasil, o filme “Democracia em Vertigem” enfrentará um concorrente de peso

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