Economia

A classe média em apuros

Diminuição na atividade econômica em meio à pandemia atingiu esse segmento, que perdeu benesses e precisou cortar excessos. Mais de dois terços dessas famílias estavam endividadas em janeiro passado, aponta estudo

Crédito: GABRIEL REIS

TRANSFERÊNCIA Filhos de Tamara deixaram escola privada e migraram para ensino público durante a crise (Crédito: GABRIEL REIS)


A cabeleireira Tamara Dias e o marido Wellington Lopes têm gastado boa parte dos dias pensando em como pagar as contas. Dona de um salão de cabeleireiro no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista, Tamara viu seus clientes sumirem e os rendimentos caírem quase 70% desde o início da pandemia. “Saí de uma renda que beirava os R$ 9 mil para algo em torno de R$ 3 mil. Não sei quando vou conseguir me recuperar”, afirma. O marido eletricista ficou desempregado e, para tentar ajudar, também fez o curso de cabeleireiro. Os filhos do casal, Eric, de 6 anos, e Ariel, 3, deixaram a escola particular e migraram para o ensino público. Com a diminuição dos ganhos, o casal precisou encontrar uma casa com aluguel mais barato. O salão também mudou de endereço e de tamanho. “Fizemos isso para evitar dívidas, mas está cada vez mais apertado. Meu antigo salão tinha espaço para seis cadeiras. Agora, são três. O desespero aumentou”, afirma.

NO SUFOCO De moto, Alessandra vende cosméticos para garantir o sustento da família (Crédito:GABRIEL REIS)

Tamara faz parte da classe média brasileira, com renda entre R$ 3 mil e R$ 9 mil. É um grupo com acesso a bens culturais e de lazer, mas que foi atingido pela pandemia, já que nem todos conseguiram ter acesso ao auxílio emergencial. Sem o benefício e com a atividade econômica combalida, muitos precisaram se adequar para ajustar o orçamento. Mas nem todas conseguiram. Um relatório da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que as pessoas nessa faixa salarial gastaram pouco mais de um terço da renda para pagar dívidas em 2020. Ainda segundo o relatório, 67,9% das famílias com essa renda estavam endividadas em janeiro passado. Outro fator importante é que parte desse contingente está no ramo de serviços. Formado em sua maioria por profissionais autônomos, o setor registrou queda na arrecadação de 7,8% em 2020, o pior resultado desde 2012, segundo IBGE.
Como resultado, as famílias precisarão adotar maior rigor na organização do orçamento doméstico. “O agravamento da pandemia e atrasos no calendário de vacinação aumentam as incertezas sobre o desempenho da atividade econômica. É importante não somente aumentar a fonte de receita, mas alongar prazos de pagamento das dívidas para manter a inadimplência sob controle”, afirma o documento.

Relatório da Confederação Nacional do Comércio mostrou que as pessoas na classe média gastaram pouco mais de um terço da renda para pagar dívidas em 2020

DESAFIO Academias fechadas e baixa clientela mudaram rotina da personal Luciana Carvalho (Crédito:GABRIEL REIS)

A crise também chegou para a personal trainer Luciana Carvalho. Até abril de 2020, os horários semanais dela eram preenchidos por cerca de 12 clientes, com preferência para os idosos. “Não havia como encaixar mais alunos. Agora, sinto falta daquela loucura”, diz. A rotina insana de treinos e academias pela capital paulista foi substituída pelo marasmo. E também pela preocupação. Quase um ano após o início da pandemia, Luciana sente falta não só do cotidiano atribulado mas também da renda que possuía. Os rendimentos de quase R$ 8 mil foram reduzidos a menos da metade. Para a conta fechar no fim do mês, ela precisou cortar a diarista e cancelar as aulas particulares de matemática do filho, Mateus Carvalho, de 13 anos. “Assim como eu, as pessoas precisaram diminuir gastos. A preocupação com o físico ficou em segundo plano”, explica.

“A maioria dos meus alunos é da terceira idade. Enquanto a pandemia continuar, minha renda estará seriamente comprometida” Luciana Carvalho, personal trainer

Ao contrário de Tâmara e Luciana, a paulistana Alessandra Luiz precisou se reinventar. A gestora financeira trabalhava em um escritório de contabilidade há 12 anos e foi demitida em junho do ano passado. O marido, Hélio Rubens, promotor de eventos, foi atingido pela onda que varreu o setor de entretenimento, já que festas, shows e baladas estão proibidas. A renda do casal, que alcançava pouco mais de R$ 8,5 mil por mês, foi reduzida para R$ 3 mil. “Não sei por quanto tempo vou aguentar com o que ganho hoje”, diz. Eles têm se mantido com a revenda de perfumes e cosméticos. O balé e a natação da filha Alice, de 3 anos, foram cancelados. O carro, um Honda Civic modelo 2013, precisou ser vendido. “Ir a restaurantes, viajar… Isso acabou. E ainda precisamos nos desdobrar para não contrair dívidas. Torço para que esse sufoco acabe”, desabafa.


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