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A Ciência, sob várias lentes do microscópio


Qual é a melhor universidade do Brasil? Essa pergunta não tem uma resposta certa. Dependendo do critério, pode ser a Universidade de São Paulo (USP), a Federal do Ceará (UFC) ou a Estadual de Maringá (UEM) – ou ainda outras instituições que são, cada uma a seu modo, centros de excelência em pesquisa.

Em uma metáfora científica, encontrar instituições de destaque exige sempre trocar a lente do microscópio. Conforme olhamos uma estatística ou outra, os resultados mudam. Para contribuir no debate sobre a quantidade e a qualidade da produção científica do Brasil, o jornal O Estado de S. Paulo analisou dados do Leiden Ranking 2019, feito pelo Centro para Estudos da Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden, na Holanda, e contabiliza artigos catalogados pela Web of Science – banco com dados de periódicos científicos do mundo todo.

Alguns dos destaques mais previsíveis são as estaduais paulistas – USP, Unicamp e Unesp. Com muitos alunos, pesquisadores e recursos, elas são responsáveis por 40% dos artigos do País. Mas o volume não é a única forma de avaliar. Medir o impacto das publicações também é importante, assim como indicadores não diretamente ligados a pesquisas, mas relevantes para a missão universitária e o desenvolvimento da ciência.

Quando esses critérios entram, o menos óbvio se destaca. O cenário também muda quando a lente aponta para um setor do conhecimento de cada vez. Há universidades com pesquisas expressivas em vários campos, mas outras brilham em áreas específicas. Nessa reportagem, vimos universidades que ficam em evidência sob diferentes lentes – e conversamos com quem põe a mão na massa.

Diferentes escalas

No levantamento, foram considerados todos os artigos indexados de 2014 a 2017 pelas 23 universidades do Brasil no último Ranking Leiden. As estaduais paulistas são os maiores centros de pesquisa do País quando o critério é a escala da produção.

Para André Frazão Helene, professor do Instituto de Biociências da USP que também estuda a produção científica brasileira, o volume de pesquisas e o tamanho da universidade são importantes para avaliar o papel social que ela desempenha.

Segundo ele, uma instituição grande como a USP, com cerca de 100 mil alunos, além de produzir ciência de ponta, é também responsável por prestar serviços públicos. O Hospital das Clínicas, por exemplo, funciona em grande parte graças ao trabalho de professores, pesquisadores e alunos da instituição.

Mas o tamanho da área de atuação, justamente o que faz essas universidades se destacarem na contagem de artigos, cria também um indicador contrastante. Instituições de médio porte costumam se sair melhor quando o critério não é o total de publicações, mas o porcentual de pesquisas com alto impacto científico – ou seja, quando se usa uma métrica de aproveitamento. Isso significa contar quantos destes artigos atingem nível alto de impacto.

É possível fazer isso contando as citações, em outros trabalhos científicos, que uma publicação recebeu. Um número alto de referências indica que outros pesquisadores consideram o trabalho relevante. Entre os indicadores do Leiden, está uma métrica que permite esse tipo de avaliação: o total de artigos de uma universidade entre os 10% mais citados em sua respectiva área do conhecimento.

Um exemplo: a USP publicou cerca de 17 mil artigos no período analisado. Destes, pouco mais de mil ficaram entre as publicações de maior impacto – com mais citações. Mas considerar só o número absoluto de artigos causaria uma distorção. Universidades grandes produzem mais e, em consequência, têm mais artigos de impacto.

Um modo de neutralizar esse problema é analisar o aproveitamento: dos artigos de uma instituição, quantos chegam a esse patamar de excelência? As federais do Ceará (UFC), Bahia (UFBA), São Carlos (Ufscar) e Santa Catarina (UFSC) têm cerca de 7% das publicações entre as mais citadas em suas respectivas áreas. Na USP, cerca de 6% dos artigos ficam entre os mais citados. Na Unesp, 5%.

Eduardo Bedê Barros é chefe do Departamento de Física da UFC, a brasileira que porcentualmente tem mais publicações de alto impacto. É justamente nas Ciências Físicas e Engenharias que a UFC tem melhor aproveitamento: quase 9% dos artigos atingem esse patamar.

Barros fez praticamente toda a carreira na federal, da graduação ao doutorado. Já no ano seguinte à defesa de tese, foi contratado como pesquisador. Saiu de lá só para dois períodos de pós-doutorado: um no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, e outro no Japão. Ele começou a fazer pesquisas já no terceiro semestre do curso, sempre com bolsas – e afirma que esse tipo de apoio é essencial. “A chave é fazer o melhor uso possível dos recursos que temos, que não são muitos.”

Barros diz ainda que o perfil do departamento também influencia. Lá, o incentivo à pesquisa começa logo que chegam os calouros.

Nos recortes anteriores, a Federal de Viçosa (UFV), em Minas, é mediana. Mas 14% dos artigos da UFV em Ciências Sociais e Humanidades estão entre os de maior impacto em seus campos: duas de 14 publicações da UFV indexadas. Parece pouco, mas esta é a área com menos artigos indexados. As pesquisas em destaque são multidisciplinares: efeitos da mudança climática na economia rural. Em números absolutos, a UFV é a sexta do País em Ciências da Vida e da Terra, especialmente agrárias.

Mosaico

“Nenhum ranking dá a dimensão completa. É preciso olhar para eles como um mosaico”, diz Solange Santos, coordenadora de produção e publicação da biblioteca eletrônica Scielo.

Há rankings mais objetivos, como o Leiden, ou mais subjetivos, como os de reputação acadêmica e no mercado. “E muitas vezes aparentam simplicidade, mas são complexos.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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