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A casa do bebê Adolf Hitler

Governo austríaco intervém para que residência onde nasceu o ditador deixe de ser uma referência nazista. Um escritório de arquitetura vai reestilizar totalmente o prédio, que deve ser convertido em uma delegacia de polícia

Crédito: Divulgação

A casa do bebê Adolf Hitler (Crédito: Divulgação)


Divulgação (Crédito:Divulgação)

Há um incômodo histórico da população, de 17 mil habitantes, da cidade de Braunau am Inn, na Áustria. Nasceu lá, em 20 de abril de 1889, um dos mais cruéis vilões da humanidade: Adolf Hitler. A casa, do século XVII, é alvo de muita preocupação e desconforto para os moradores e também para as autoridades. Em 2016, a solução tomada pelo governo austríaco foi a compra da propriedade por 812.000 euros para uma posterior demolição. No entanto, em 2017, houve uma repentina mudança de planos e, após longo debate, decidiu-se por uma reformulação arquitetônica na casa que trouxesse uma resignificação do local.

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A polêmica parece que só está começando, mas há previsão de que em 2023 a residência seja utilizada como delegacia de polícia. “É o uso mais adequado. A polícia é a protetora dos direitos e liberdades fundamentais”, disse o ministro do Interior da Áustria, Karl Nehammer. Todo o cuidado com o destino da propriedade está em evitar que o local seja utilizado como alvo de peregrinação de grupos neonazistas. É possível que alguns seguidores de Hitler tenham visitado a casa e se fotografado no local, mas nunca houve uma aglomeração suficiente para entender que o prédio incentive as ideias de extrema direita. É importante, porém, que as ações sejam preventivas nesse sentido. A opção da polícia no local atende aos objetivos de preservar a vida e intimidar nazistas. Talvez a escolha tenha levado em consideração o fato da residência de Hitler em Berlim também ser uma delegacia.

MALDIÇÃO Entre 1938 e 1945 a propriedade foi utilizada como centro cultural em homenagem ao “Führer” (Crédito:Divulgação)

Buscando a descaracterização do prédio, o governo austríaco fez um concurso arquitetônico, em 2019, e convidou 15 escritórios de Áustria, Alemanha e Suíça. O resultado saiu agora em julho e venceu a disputa o estúdio austríaco “Marte.Marte Architects”, comandado pelos irmãos Bernhard e Stefan Marte. O júri que participou da concorrência decidiu por unanimidade pelo projeto. A publicação da competição deixava bem claro que “a reforma externa do edifício existente visa eliminar a memória do tempo do nacional-socialismo”. A justificativa é que a simplicidade do design, com linhas modernas e sem elementos que façam alusão à estada de Hitler no local, atende ao objetivo de enterrar qualquer fantasma que possa ocupar o imaginário das pessoas pós-nazismo. A obra vai custar 5 milhões de euros.

5 milhões de euros é o investimento previsto no projeto

“A reforma do edifício visa eliminar a memória do tempo do nacional-socialismo” Karl Nehammer, ministro do Interior da Áustria (Crédito:Leonhard Foeger)

Histórico da casa

A casa está fechada desde 2011. Durante o nacional-socialismo funcionou um centro cultural em homenagem ao ditador. Após a Segunda Guerra Mundial, tropas americanas abriram um memorial, brevemente. Depois funcionou no local uma biblioteca, uma agência bancária, uma escola e até uma creche para deficientes. Não é possível pensar que Hitler tramou na moradia seus primeiros crimes. Afinal, sua família mudou quando ele ainda era criança — tinha no máximo três anos —, mas o significado do nascimento de um líder, que motivou o assassinato étnico de mais de 40 milhões de pessoas, ainda é muito presente. Hoje, há uma pedra memorial com a frase: “Pela paz, liberdade e democracia — nunca mais o fascismo”. Ela será retirada com a reforma. Uma amnésia programática é a solução. Resta saber se vai funcionar.

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