Comportamento

A ‘Capela Sistina’ da Amazônia

Pesquisadores descobriram caverna com imagens rupestres no coração da floresta amazônica

Crédito: Divulgação
DOCUMENTÁRIO “Mistérios da Selva: Reinos Perdidos da Amazônia”: produção britânica exibirá descoberta que só foi possível graças ao acordo de paz com as FARC, que dominavam a região (Crédito:Divulgação)

Apesar da degradação da natureza provocada pelo ser humano nos últimos tempos, ainda restam no planeta santuários completamente conservados. Pesquisadores da Universidade de Exeter, do Reino Unido, encontraram uma caverna repleta de pinturas antigas no coração da floresta amazônica. A descoberta já é considerada um dos marcos arqueológicos mais relevantes do ano. Apelidada de “Capela Sistina dos Antigos”, o achado indica que os primeiros habitantes dessas florestas coexistiram com a megafauna característica da Era do Gelo, milhares de anos atrás. Impressionante por sua exuberância, o sítio arqueológico está localizado no Parque Nacional Chiribiquete, região sul da floresta amazônica, na Colômbia. Ao todo, o paredão tem cerca de 13 quilômetros decorados com gravuras rupestres praticamente intactas. Estima-se que as primeiras marcações nas rochas foram feitas entre 12,6 e 11,8 mil anos atrás. Nas análises preliminares, especialistas identificaram desenhos de paisagens e outros elementos da natureza, além de figuras humanas. A reconstrução do período foi baseada nas gravuras de peixes, pássaros e mamíferos que habitavam a região durante a Era do Gelo, como mastodontes, preguiças-gigantes e campilídios.

“Essas pinturas são uma evidência espetacular de como os humanos reconstruíram a terra, caçaram, cultivaram e pescaram” Jose Iriarte, arqueólogo

Um dos mistérios que chamaram a atenção dos arqueólogos é a técnica apresentada nos desenhos. As gravuras medem mais de cinco metros de altura e vão do chão ao teto da caverna, o que obrigou a equipe a usar escadas especiais para acompanhar os detalhes das obras. “Essas pinturas dão um vislumbre vívido e emocionante da vida dessas comunidades”, disse Mark Robinson, arqueólogo da Universidade de Exeter. “Hoje é inacreditável pensar que esses seres humanos viviam e caçavam animais gigantes”, afirma.

Marcos Lima, historiador e coordenador do Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB/Unisal), conta que o ano de 2020, mesmo abalado pela pandemia, revelou descobertas arqueológicas sem precedentes. Ele reforça ainda a importância da preservação ambiental. “Quando não preservamos o meio ambiente perdemos parte ou toda a história deixada por nossos ancestrais”, diz. “Sem sombra de dúvidas acredito que esse seja um dos maiores achados já registrados”, afirma.

O objetivo dos pesquisadores agora é documentar toda a arte encontrada e tentar descobrir outros animais retratados que possam gerar informações sobre o deslocamento migratório humano. “Os primeiros povos a viver na Amazônia ocidental se mudaram para a região em um momento de mudanças climáticas extremas, que estavam levando a mudanças na vegetação”, ressalta Mark Robinson.

Arqueólogos vão documentar a arte encontrada nos 13 km de extensão do paredão para identificar espécies e mapear o deslocamento humano

APOIO Santuário ecológico: governo da Colômbia autorizou cinco anos de estudos no local (Crédito:Divulgação)

Projeto futuro

Jose Iriarte, arqueólogo que lidera a pesquisa, relata que sua equipe sabia da existência da “Capela Sistina dos Antigos” há pelo menos um ano, mas aguardou para divulgar a notícia por conta da produção do documentário chamado “Mistério da Selva: Reinos Perdidos da Amazônia”, exibido pela TV no Reino Unido. “É provável que a arte fosse uma parte poderosa da cultura e uma forma que as pessoas usavam para se conectar socialmente”, disse Iriarte.


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Ele afirma ainda que questões políticas afetaram as explorações do local ao longo dos anos. A região do Chiribiquete estava na área de atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), organização paramilitar que só assinou acordo de trégua com o governo em 2016. Antes disso, o local era perigoso demais para exploradores locais e estrangeiros. A descoberta levará a um projeto mais amplo de exploração, com tempo mínimo de cinco anos e apoiados pelo governo colombiano. É uma garantia de que interessantes informações culturais sobre esse período estão a caminho.

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