A campanha e as redes sociais

Como acontece em todas as eleições, estamos longe de conseguir prever quem será o próximo presidente.

No entanto, pelos dados de hoje, não estou dizendo nada de novo, só existem dois candidatos capazes de vencer
a próxima eleição: Bolsonaro e Lula.

Bolsonaro já conhecemos bem.

Com apoio dos filhos e de sua intuição, ele desenvolve muito bem as estratégias de uso das redes sociais.

Há quem diga que aprenderam tudo com Stephen Bannon, o cérebro por trás do escândalo da Cambridge Analytica
e da eleição de Trump.

Pode ser.

Mesmo que a atuação de Bannon na campanha de Bolsonaro de 2018 nunca venha a ser comprovada, as digitais estão todas lá.
E suas técnicas, de lá para cá, só foram aprimoradas.

Stephen Bannon abriu as portas de uma nova ciência do mal.

Atualmente existem milhões de Bannons, espalhados pelo mundo.

As ferramentas que ele ensinou o mundo a usar, viraram brinquedo de criança.

Evoluíram exponencialmente em opções e eficiência.

Hackear redes sociais e algoritmos, se transformou num negócio extremamente lucrativo – e de fácil acesso – para quem estiver disposto a abrir mão da ética.

Não é necessário nem mesmo recorrer à deep web para colecionar esses novos aprendizados e ferramentas.

Fóruns Black Hat (como são chamados os hackers que não se limitam a atividades legais ou éticas) estão a um Google
de distância.

Ali, qualquer um pode aprender como gerar engajamento sem precisar recorrer a dancinhas de TikTok.

Basta ver os ataques anônimos que a Rússia vem sofrendo desde a invasão da Ucrânia.

Na rede, qualquer um aprende como divulgar informações falsas, como angariar seguidores, como driblar as restrições das redes sociais.

Qualquer campanha eleitoral baseada nesses recursos, de novo, será infinitamente mais eficiente do que as campanhas do passado.

Impossível dizer que Bolsonaro e seus filhos vão se valer dessas técnicas.

Mas por quatro anos a família Bolsonaro trabalhou com guerrilha digital diariamente, e somou a isso todo o ferramental de estar no poder.

Contam, desta vez, com a exposição natural de qualquer presidente.

E esse é o combustível essencial para utilizar as mídias digitais e as redes sociais para alcançar os resultados desejados.

Ou seja, Bolsonaro tem muito mais conhecimento, exposição e armas – digitais e analógicas – para compor sua campanha de 2022 do que teve em 2018.

Esperava-se, portanto, que Lula e o PT tivessem aprendido a lição.

Não aprenderam.

Nessas poucas semanas de campanha, tudo que Lula demonstrou baseia-se exatamente nas artimanhas da velha política.

Conchavos, palanques, frases de efeito.

Acordos políticos com gente sem carisma como Alckmin. Como assim?

Jingles idealistas com queridinhos da mídia. Para quê?

Para vencer a eleição, Lula precisa de apenas uma coisa: outra estratégia

Ao invés de utilizar novas ferramentas, Lula traz para seu lado nomes que já provaram terem sido rejeitados pela maioria dos eleitores, como Dilma Rousseff ou Gleysi Hoffman.

Lula utiliza a mídia como se fazia no século passado.

E para piorar, desenha uma campanha cheia de rancor, como se ainda acreditasse que a Nação estaria revoltada com sua prisão e, por isso, prontos a votar nele como uma forma de corrigir a História.

Lula é a esperança de destronar Bolsonaro.

E é, sem dúvida, o político que mais soube utilizar sua popularidade no passado.

No passado.

Porque no presente e no futuro, popularidade e populismo não elegem ninguém.

O que elege é o tribunal das redes sociais.

E como todo cachorro velho, até agora Lula provou em sua campanha que tem imensa dificuldade para aprender truques novos.


Sobre o autor

Mentor Muniz Neto, 51, é escritor. Mora em São Paulo com suas filhas Manuela, Olivia e Catarina e escreve crônicas do cotidiano que às vezes parecem realismo fantástico


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