A caminho dos 100 mil

Crédito: GABRIELA BILO

(Crédito: GABRIELA BILO)

Fracassou! Como todas estratégicas áreas do Estado, dependentes de ações efetivas, de liderança e planejamento, de seriedade e postura responsável no trato do tema, a Saúde, sob a batuta do governo, ficou em segundo plano. Relegada às mãos de oficiais que nada entendem e apenas obedecem, batem continência e acatam os caprichos de Messias. O mandatário em pessoa preferiu confraternizar, inaugurar obras, participar de cerimônias burocráticas na caserna, saudar paraquedista e deixar de lado hospitais, gestos de solidariedade aos milhões de doentes e visitas de apoio aos estados mais infectados. Embora tenha, ele também, sido tomado pela Covid-19, o presidente entendeu que essa pandemia não é assunto dele. Não lhe interessa. “Gripezinha” chata que atrapalhou seus planos eleitorais. O Brasil segue em marcha firme e célere para o dramático índice de 100 mil mortos. Em pouco mais de cinco meses, desde o primeiro registro, está alcançando o triste marco. Repetindo: 100 mil mortos. Bem além (muito além!) das oito centenas estimadas por Messias. É uma tragédia de proporções dantescas. Inédita por aqui. Nem em guerras ou conflitos armados morreram tantos brasileiros de uma só vez e de uma mesma causa. Mas e daí? Faz parte, não é mesmo? Como alegou em determinado momento o mito Bolsonaro. Os recursos da Saúde escassearam. A seriedade no combate a doença, idem. Nem máscara o presidente se predispõe a usar. Desde o início, o chefe da Nação incitou um movimento de desobediência ao isolamento em passeios a bordo de jet ski, em cavalgadas ou mesmo em aparições cercadas de curiosos. Foi às ruas e acabou por empurrar o Brasil à condição de liderança no número de mortes. Não é brincadeira isso! O volume médio diário superando a taxa dos mil casos, em registro tenebroso, equivale a pelo menos cinco aviões lotados caindo a cada 24 horas. O ritmo de vítimas fatais de escala imensurável se repete há mais de um mês. O País alcançou uma espécie de platô fúnebre e insano. Um teto nas alturas de cadáveres, perpetuando na história aquele que pode ter sido, até hoje, o momento mais sombrio jamais vivido. Em território nacional, o vírus superou de longe o patamar de dois milhões de infectados. Colocou em colapso sistemas locais de saúde e levou infindáveis famílias ao desespero. Não há como ignorar, embora Bolsonaro teime na tática. Com um general no comando da pasta da Saúde, decorreram-se mais de 70 dias de omissão, resignação e descaso no combate ao problema. Nenhuma resposta, medida concreta e apenas uma ideia fixa e inabalável: a promoção da hidroxicloroquina como panaceia redentora. Uma droga, deveras demonstrado pela ciência, sem eficácia. Jair Bolsonaro resolveu se converter no garoto propaganda do remédio por motivos bem menos nobres que o da intenção de salvar vidas. Ele tenta salvar a própria pele do fiasco administrativo de ter investido milhões na produção militar dos comprimidos e na importação de doses a troco de nada. Atua como uma espécie de “Jim Jones” do extermínio da saúde de milhões de brasileiros — como fez o pastor americano que induziu seu rebanho de fiéis ao suicídio. Deveria ser responsabilizado por essa barbeiragem. Insiste na alegação, já desmoralizada pela comunidade médica, dos efeitos positivos do tratamento. Foi capaz de colocar para correr da pasta dois seguidos ministros — médicos, técnicos, especialistas — por não concordarem com o método e a orientação superior. No entender de Messias, apenas ele está certo. A tropa de farda que o acompanha se irritou quando o ministro do Supremo Gilmar Mendes falou em responsabilidade por um genocídio. E a quantidade de mortes que poderiam ter sido evitadas com meras precauções, atendimento profissional e ações coordenadas do Estado deve ser classificada como? O titular da Saúde, general Pazuello, entupiu o Ministério com um batalhão de soldados digno de operações armadas. Aumentou em 94,55% o contingente de militares nos quadros de lá, com a contratação de nada menos que 1.249 oficiais. Para acomodar os botinas verdes demitiu especialistas e técnicos conhecedores do “modus operandi” do sistema. Na prática, desmontou a instituição, cuja missão seria a de zelar pela eficiência médica. Virou, ao contrário, cabide de empregos dos quartéis. Não é de surpreender, portanto, a marcha da insensatez em direção aos 100 mil.

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