Depois de conquistar leitores desde o lançamento, em 2014, “A Cabeça do Santo” vai ganhar uma nova versão, desta vez no cinema. O livro de Socorro Acioli está em processo de adaptação e já tem o primeiro nome confirmado no elenco: Antônio Pitanga.
O longa será dirigido e roteirizado por Joana Mariani, com produção da Coração da Selva. No início de fevereiro, a equipe se reuniu em São Paulo para uma leitura de trechos do roteiro, marcando uma nova etapa no desenvolvimento do projeto.
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Participaram do encontro atores convidados como Jesuíta Barbosa, além de Melina Anthís e Agnes Nunes. Eles estiveram na leitura, mas ainda não foram anunciados oficialmente como parte do elenco. Até agora, o único nome confirmado é o de Antônio Pitanga.
Ainda não há datas divulgadas para o início das filmagens nem previsão de estreia.
Sobre a história
O romance acompanha Samuel, um jovem que atravessa o sertão para cumprir o último pedido da mãe: encontrar o pai e a avó na cidade de Candeia. A viagem é feita a pé e marca o início de uma nova fase em sua vida.
Ao chegar, ele descobre que consegue ouvir as preces dirigidas por mulheres a Santo Antônio. A partir disso, passa a ocupar um lugar inesperado na cidade, interferindo nas relações e nos conflitos locais.
A narrativa se constrói a partir dessas situações e das conexões entre os moradores, abordando fé, relações familiares e escolhas individuais.
A origem do livro
O ponto de partida do romance está em um fato real ocorrido no município de Caridade, no sertão central do Ceará. Em 1984, a prefeitura iniciou a construção de uma grande estátua de Santo Antônio no alto do Morro do Serrote. A proposta era impulsionar o turismo religioso na cidade, nos moldes do que já acontecia em Canindé. Dois anos depois, a obra foi interrompida por falta de recursos.
O corpo da imagem ficou no alto do morro. A cabeça, que havia sido montada no chão, nunca foi instalada. Segundo relatos locais, o peso da estrutura e as condições de vento dificultariam o transporte até o topo.
Desde então, a cabeça permaneceu separada do corpo. Ela foi instalada na rua Cento e Dois, no Conjunto Habitacional, em frente à casa onde morava o engenheiro responsável pela obra. Com o tempo, passou a integrar o espaço urbano, serviu como parte de muro e chegou a abrigar uma pessoa dentro da estrutura. A situação se tornou conhecida nacional e internacionalmente.
Foi a partir dessa imagem, um santo dividido entre o alto do morro e o meio da rua que Socorro Acioli construiu a base do romance. O projeto literário foi desenvolvido após a autora participar de uma oficina conduzida por Gabriel García Márquez. Anos depois, o romance foi publicado e se consolidou como um dos principais títulos da escritora.
Novo monumento em Caridade
Enquanto o filme avança, a cidade vive uma nova tentativa de erguer um monumento completo. Desde 2021, o Governo do Ceará trabalha na construção de um complexo religioso no ponto mais alto do município, com uma nova estátua de 36 metros, além de capela, mirante e área de visitação.
As obras seguem em andamento, com investimento estadual e municipal. A previsão oficial mais recente aponta a conclusão do complexo para os próximos anos.
Quase quatro décadas depois do início da primeira construção, a história do santo dividido continua repercutindo, agora também no cinema.
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