A bailarina da morte e o capitão genocida

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)


O país enfrenta a pior fase da pandemia, os hospitais colapsam, as autoridades se alarmam, os leitos escasseiam, as variantes aturdem, as vacinas vacilam; mas qualquer civilização declina contra frescura e “mimimi”.

Se as pandemias têm normalmente três vagas sucessivas — sanitária, económica e psicológica — no Brasil elas vivem juntas; amazonas do apocalipse, cavalgando a ignorância, esporando a pobreza, galopando este insólito negacionismo de Estado onde os sinais de loucura cobram à vista.

As três fases se sobrepõem tornando impraticável qualquer otimismo e entre a loucura e a sandice, contrariando medicina e estatística, o Brasil sofre depressões sucessivas; e enquanto o povo morre de Covid como nunca, muitos políticos continuam desconsiderando a doença, troçando das políticas mundiais de saúde e dando para o povo sinais irrefletidos que em certos casos funcionam como sentenças de morte.

Muitos dos que escolheram entre a corrupção e mudança, quando em 2018 votaram Bolsonaro, provavelmente hoje estarão se perguntando se a sua escolha teria sido a mesma se soubessem que estavam escolhendo entre corrupção e genocídio.

Mas é no futuro que o aprendizado do passado tem de aplicar-se. Antes da próxima escolha, olhemos a história. Ela sempre nos ensina.


+ Após cobertura ser arrematada em leilão, Carlinhos Mendigo se recusa deixar propriedade
+ Mulher desaparecida é encontrada dentro de cobra píton
+ Furão é estrela de vídeo que recria cenas do filme Ratatouille



Parceira de samba do capitão genocida é a Bailarina da Morte, um notável livro que Liilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling escreveram sobre a gripe espanhola que há um século matou muitos dos nossos bisavós e trisavós.

A Bailarina é um fabuloso exercício narrativo onde as historiadoras desenham um contundente retrato do Brasil durante aquela pandemia de gripe, uma descrição fiel de uma doença mortal com trágicas semelhanças com a “nossa” pandemia.

No início do século XX, uma desconhecida doença chegou a bordo do Demerara e outros navios vindos da Europa, mas que veio chamar-se Gripe Espanhola.

“Atchim…Atchim” foi a manchete do jornal “O Combate” em julho 1918 se referindo ao surto de gripe que fez os alemães perder a guerra e que depois, no mundo inteiro, haveria de matar 50 milhões de pessoas.

Há um século, a população morreu iludida por estatísticas simuladas e falsas curas milagrosas, mas hoje, 100 anos depois, morre igualmente por disputas políticas e atitudes negacionistas.

O ser humano é de fato o único animal que não aprende com a história.

Veja também

+ Receita simples de bolo Red Velvet
+ Yasmin Brunet comemora vitória de Gabriel Medina
+ Receita de panqueca americana com chocolate
+ Receita rápida de panqueca de doce de leite
+ Contran prorroga prazo para renovação da CNH
+ Receita de moqueca de peixe simples e deliciosa
+ 5 benefícios do jejum intermitente além de emagrecer
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Sucuris gigantes são flagradas em expedições de fotógrafos no MS


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2021 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.