A arte da perfumaria: profissão rara une ciência, sensibilidade e inovação

Dia do Perfumista é celebrado neste domingo, 21 de setembro

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Cesar Veiga celebra o Dia do Perfumista com ciência, sensibilidade e inovação Foto: Divulgação

No mundo, existem cerca de 600 perfumistas, de acordo com dados da IFF*- líder global em sabores, fragrâncias, ingredientes alimentícios, saúde e biociências. A estatística, revela a raridade e a preciosidade dessa profissão que une ciência, sensibilidade e arte para criar obras-primas olfativas.

E essa raridade não é por acaso. Tornar-se um perfumista exige anos de dedicação, estudo e sensibilidade apurada. Não basta apenas conhecer a fundo a química e a biologia dos ingredientes – afinal são cerca de 3000 notas olfativas e infinitas possibilidades de criações-, é preciso também ter memória olfativa altamente treinada e uma escuta refinada para captar as sutilezas de cada nota, como se fosse um músico que reconhece acordes em segundos.

Além da formação acadêmica específica , que não é obrigatória, mas recomendada, em áreas como Farmácia, Química ou Engenharia, o caminho profissional demanda um aprendizado longo e contínuo, que pode levar mais de uma década, já que envolve tanto técnica quanto criatividade artística. Outro desafio é o acesso restrito à formação especializada: escolas de perfumaria são raras no mundo e concentram-se, em sua maioria, na Europa, sendo que grande parte dos perfumistas no mundo possuem sua formação em casas de fragrâncias.

No Brasil, um dos nomes que se destaca nessa jornada é Cesar Veiga, Perfumista Expert em Avaliação de Fragrâncias do Núcleo de Inteligência Olfativa do Boticário, cuja trajetória reflete a importância e a vanguarda da perfumaria nacional.

Formado em Farmácia pela PUC-PR, César iniciou sua história no Grupo Boticário em 1996, como estagiário da marca O Boticário, e construiu uma carreira sólida de 28 anos dedicados à criação de fragrâncias que se tornaram ícones da perfumaria brasileira. Entre suas contribuições mais marcantes estão sucessos como Malbec, Egeo Dolce e Lily, fragrâncias que moldaram tendências e conquistaram gerações de consumidores.

“Gosto de dizer que a perfumaria é, antes de tudo, uma arte. Não apenas a arte que nasce da inspiração para criar uma nova fragrância, mas também aquela que está nos gestos, nas viagens, nas poesias, na música e até mesmo nos detalhes do cotidiano. Tudo pode se transformar em nota olfativa: um livro, uma melodia, uma paisagem, uma memória afetiva. Esse repertório humano e sensorial é o que guia o nosso processo criativo”, revela o perfumista.

Não é à toa que a mesa do perfumista tem o formato inspirado em um piano. “A música oferece uma das melhores analogias para entender a criação de uma fragrância”, explica. De acordo com César, cada perfume pode reunir até mais de 100 ingredientes naturais e sintéticos, que funcionam como notas musicais — interessantes sozinhas, mas ainda mais ricas quando combinadas.

“Assim como na música, onde dó, mi e sol formam um acorde, na perfumaria a união harmônica de notas como lavanda, jasmim e patchouli dá origem a acordes olfativos, que, encadeados, criam composições complexas e únicas. Essa sinfonia invisível desperta sensações, memórias e emoções, mostrando que a magia da perfumaria, assim como a da música, está na arte da harmonia”, completa.

Para o expert as inspirações vêm de diferentes lugares, seja em suas viagens ao redor do mundo ou do seu repertório pessoal, que também agrega nesse processo criativo.

“Eu e meu time temos à disposição, mais de 350 ingredientes de origem natural que incluem desde cheiros típicos do Brasil como jaborandi, até o de palmeiras típicas de Cuba, além de outras centenas de insumos de origem sintética bem como ingredientes exclusivos criados sob medida no nosso Quintana Lab um laboratório de especialidades olfativas. Com base num maior potencial investigativo permitido pela inovação, conseguimos, por exemplo, identificar aromas ainda não sentidos, como o desabrochar de uma flor em uma região específica do mundo”, relata.

Mais do que a criação de fragrâncias consagradas, Cesar também foi protagonista em grandes inovações do setor. Entre elas, está a primeira fragrância do mundo desenvolvida com o auxílio da Inteligência Artificial, marco que colocou o Grupo Boticário na cena global da perfumaria. Além disso, ele participa de projetos que utilizam neurociência para compreender como os cheiros influenciam emoções e comportamentos, ampliando os limites da ciência aplicada à perfumaria.

Outro legado de sua atuação é o CPO – Centro de Pesquisa do Olfato, iniciativa inédita no Brasil do Boticário, que investiga a relação entre o olfato, o bem-estar e o comportamento humano. O espaço consolida a marca como referência em pesquisa e inovação, fomentando conhecimento que gera valor tanto para a sociedade quanto para os negócios.

Apaixonado pela arte e pela história da perfumaria, César vê na profissão uma forma de eternizar memórias em frascos. “Nosso trabalho é transformar emoções em fragrâncias que permanecem na memória das pessoas. É uma profissão rara, mas profundamente humana, une ciência e sensibilidade para eternizar experiências através do olfato. Essa dedicação à arte da perfumaria, combinada com a inovação constante, garante a posição de destaque do Boticário no mercado”, finaliza César.