Internacional

A arma preferida de Moscou

Novamente um opositor de Vladimir Putin sofre tentativa de assassinato de forma misteriosa. Alexei Navalny foi envenenado após tomar chá, uma tradição no país

Crédito: MAJA HITIJ
OPOSITOR Alexei Navalny está em coma induzido na Alemanha. Ele bebeu chá intoxicado no aeroporto: Putin é suspeito (Crédito:Valeriy Melnikov)

Desenvolvida na União Soviética, a estratégia de eliminação de oponentes continua a ser praticada pelo establishment russo. Nos últimos 20 anos, a prática foi empregada diversas vezes pelo presidente Vladimir Putin, um antigo agente da KGB soviética. A vítima mais recente é Alexei Navalny, político, advogado e o mais proeminente opositor do governo. Ele foi envenenado, tudo indica, a mando do presidente. Antes de entrar no voo que saiu da cidade de Tomsk, na Sibéria, em direção a Moscou. Nalvalny tomou chá e logo depois, no ar, passou mal, o que obrigou a realização de um pouso forçado na cidade de Omsk. Após avaliação médica local, nada foi constatado. Sua esposa Iulia Navalnaia e a comitiva que o acompanhavam automaticamente acusaram o presidente russo e recorreram à ajuda internacional. As autoridades da Alemanha deram asilo político ao russo. Já em território alemão, serviço médico do hospital Charité, de Berlim, confirmou o envenenamento, após exames laboratoriais. Navalny continua internado em coma induzido. Segundo a investigação germânica, ele foi envenenado com Novichuk, uma substância que ataca o sistema nervoso central e deixa sequelas. Esse tipo de ataque já foi usado em março de 2018 contra o espião dissidente russo Sergei Skripal e sua filha Yulia, na cidade britânica de Salisbury — na época, esse crime virou um incidente internacional entre Londres e Moscou.

Para Wilson Maske, professor de História da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, mesmo sendo uma república parecida com as demais do mundo, a Rússia não admite críticas feitas por opositores. “Falta liberdade de expressão”, afirma. Esses assassinatos seletivos não visam o contraterrorismo, como acontece em outras nações. “Na Rússia, eles eliminam os adversários políticos”, diz.

SEQUELAS Viktor Yushchenko (antes e depois) foi envenenado quandoconcorreu a presidência da Ucrânia em 2004, mas sobreviveu (Crédito:Divulgação)

Desde que está no poder, Putin recebeu várias denúncias de corrupção, falta de lisura nas eleições e perseguição a opositores. Além de Navalny, atribui-se ao presidente russo pelo menos seis casos de envenenamento e mortes. Foi o caso do assassinato, a tiros, da jornalista Anna Politkovskaia em 2006. O governo nega envolvimento nesses crimes mas, as evidências apontam para Moscou. O envenenamento, aplicado ao chá, é a prática favorita das agências de inteligência russas há mais de um século. Na antiga União Soviética, havia até mesmo um laboratório secreto para pesquisar venenos insípidos e indetectáveis: metais pesados como o polônio-210, que é radioativo, e a gelsemium, uma rara toxina vegetal do Himalaia. São métodos bem mais sofisticados do que a ferramenta escolhida por Stálin para eliminar seu desafeto Trotsky, em 1940: o fundador do trotskismo foi morto a golpes de picareta por um espião infiltrado, no México.

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