Cultura

A angústia de uma mulher, num dia que vale por todos

Esqueça o não tão velho Um Dia, de 2011, com Anne Hathaway e Jim Sturgess. Há agora outro filme com o mesmo título brasileiro. No húngaro Um Dia, de Zsófia Szilágyi, o que a diretora propõe é um dia na vida de uma mulher. É um filme que dialoga muito bem com Filha Minha, de Laura Bispuri – leia mais acima.

De novo a maternidade, o casamento. Anna está vivendo apenas mais um dia do que parece uma existência opaca, banal. Em crise no casamento, e dividindo a atividade doméstica com a função de professora, a rotina desse dia parece estar tentando arrancar alguma coisa dela. Anna gostaria de levar a vida familiar – o marido, a filha -, mas faltam-lhe forças. Seu desejo é sumir. E, como professora, ela também tem todas aquelas crianças sob sua responsabilidade.

A angústia parece que vai engolir Anna, e transparece na interpretação nuançada de Zsófia Szamozi. A atriz é a alma do filme. Faz um trabalho discreto, de pequenos gestos. É um filme sobre o tempo. Um dia que parece a súmula de todos os dias. A particular prisão que oprime Anna.

Um Dia

(Hungria/2018, 99 min.)

Dir. Zsófia Szilágyi . Com Zsófia Szamosi, Leo Füredi, Ambrus Barcza

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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