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A amnésia de Bolsonaro

Crédito: AFP

O presidente Jair Bolsonaro discursa durante cerimônia de promoção de generais das Forças Armadas em Brasília, 9 de dezembro de 2019 (Crédito: AFP)

O presidente Jair Bolsonaro parece ter sofrido algum tipo de amnésia após o acidente doméstico no banheiro do Palácio do Alvorada na noite da última segunda-feira, o que o deixou em observação no Hospital do Exército de Brasília por 24 horas, depois de cair e bater com a cabeça no chão. No pronunciamento que fez em cadeia de rádio e televisão na noite de Natal, ao lado da mulher Michelle, Bolsonaro disse que não havia sido registrado nenhum caso de corrupção no primeiro ano de seu governo. Mas vamos clarear a mente do presidente. Além do escândalo das candidaturas laranjas que desviaram dinheiro público da sua campanha e da do ministro do Turismo Álvaro Antonio, indiciado pela Polícia Federal e denunciado à Justiça, há o caso tenebroso envolvendo seu filho Flávio Bolsonaro e seu amigo Fabrício Queiroz, investigados pelo Ministério Público do Rio.

O presidente pode até fazer de conta que nada a ver com o caso do senador Flávio Bolsonaro, mas não pode esquecer que ele é seu filho. E ainda seu primogênito. O fato é que o 01 está cada vez mais encalacrado com a Justiça fluminense. Os crimes da rachadinha organizada por Queiroz no gabinete de Flávio, o então deputado estadual no Rio, estão mais do que comprovados. O ex-motorista recebeu pelo menos R$ 2 milhões de funcionários do gabinete de Flávio, por meio de 483 transferências bancárias. A maior parte dos depósitos foi feita em dinheiro vivo. Operações de dinheiro vivo também foram registradas entre Queiroz e Flávio. O senador chegou a fazer inúmeros depósitos em suas contas em dinheiro vivo.

Foi também em espécie que o senador fez aportes na sua loja de chocolates no shopping da Barra da Tijuca, mesmo sem ter dinheiro declarado para fazer o investimento superior a R$ 1 milhão. O MP tem demonstrações claras de que essa chocolateria foi usada para lavagem de dinheiro. O mesmo aconteceu em várias operações imobiliárias do filho do presidente. Ele comprou e vendeu 19 imóveis, no valor de R$ 9 milhões, lucrando R$ 3 milhões. “Um Neymar”, como disse Bolsonaro. Aliás, quando Lulinha foi pego com a boca na botija da corrupção, seu pai, Lula, o chamou de “Ronaldinho dos negócios”. Tudo não passa de uma mera coincidência. Mas o fato é que Flávio comprou apartamentos subfaturados e os revendeu superfaturados, ganhando milhares de reais com essas operações, também claramente de lesa-fisco e sintomaticamente ações de lavagem de dinheiro. Há também as relações mal explicadas do presidente com Queiroz. Ninguém até hoje engoliu a operação feita por Queiroz ao depositar R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro. Segundo o presidente, esse dinheiro foi a devolução de um empréstimo que fizera a Queiroz, sem, no entanto, ter declarado o favorzinho de R$ 40 mil ao amigo, sem qualquer declaração ao Imposto de Renda.

Sem contar ainda com o fato de que Queiroz tem ligações fortíssimas com os milicianos envolvidos na morte da vereadora Marielle Franco. Queiroz e Flávio Bolsonaro empregaram no seu gabinete a mãe e a ex-mulher do capitão Adriano da Nóbrega, o chefe da milícia no Rio – foragido da Justiça desde fevereiro – e que está enrolado até o último fio do cabelo em crimes como o de Marielle e o motorista Anderson. Todas essas intercorrências estão sendo investigadas pela Justiça do Rio e a maioria delas leva a problemas que Bolsonaro prefere esquecer.

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