A semana

Quando o registro sindical é um lucrativo (e ilícito) negócio

Crédito: André Coelho

CORRUPÇÃO? Roberto Jefferson com a filha Cristiane Brasil, e, no vídeo, o deputado Jovair Arantes: segundo a PF, eles seriam chefes da organização criminosa (Crédito: André Coelho)

Vinte e seis pessoas foram denunciadas à Justiça, na semana passada, sob a suspeição de integrarem uma organização criminosa com atuação no Ministério do Trabalho. A denúncia partiu da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Trata do seguinte: políticos, operadores e funcionários da burocracia da Secretaria de Relações de Trabalho estariam tomando dinheiro daqueles que procuram o ministério para obter o registro de um novo sindicato. A denúncia, se comprovada, demonstrará também a viciada estrutura sindical brasileira, uma vez que nada justifica, à nenhuma categoria profissional, oferecer ou concordar com contrapartida ilícita para conseguir o registro sindical. Entre os supostos integrantes da organização estão o ex-ministro do Trabalho Helton Yomura, o presidente nacional do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson, e os deputados federais Cristiane Brasil (filha de Jefferson), Jovair Arantes e Paulinho da Força (todos do PTB ou do Solidariedade). A procuradora-geral enviou a denúncia ao Supremo Tribunal Federal (o relator do caso é o ministro Edson Fachin) e pediu que inquéritos sejam abertos para averiguar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. A negociata poderia render em um único registro, segundo as investigações, cerca de R$ 4 milhões. Ela ruiu com a delação premiada de Renato Araújo Júnior, ex-coordenador de Registro Sindical, e devido aos documentos encontrados pela Polícia Federal no cumprimento de mandados de busca e apreensão em gabinetes de parlamentares. Todos eles negam que tenham envolvimento com o caso.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

“A burocracia na Secretaria de Relações do Trabalho dificulta a obtenção de registro aos que se recusam a ofertar contrapartida ilícita” Raquel Dodge, procuradora-geral da República

ESPANHA
A segunda morte de Francisco Franco

Alfredo Caliz

Os restos mortais do ditador Francisco Franco (assumiu o governo da Espanha com o fim da Guerra Civil, em 1939, e tiranizou o país até 1975, quando morreu) poderão perder o lugar de honra que ocupam no Valle de los Caídos (50 quilômetros de Madri). Esse local, embora nele tenham sido sepultados 30 mil combatentes franquistas e apenas 10 mil opositores republicanos, sempre foi tido como um símbolo contra o ditador. Retirar ou não a ossada divide eternamente os espanhois. Agora, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez decidiu ordenar a exumação por considerar uma ofensa aos mártires da ditadura os ossos de Franco estarem no vale. Herdeiros já se posicionaram contra a medida.

EDUCAÇÃO
Mais de 2,7 milhões de alunos não sabem Português nem Matemática

É estarrecedor. Cerca de 5,4 milhões de alunos de escolas públicas de todo o País, com idades entre os 14 e os 17 anos, participaram do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a mais importante prova feita pelo Ministério da Educação para retratar o desempenho dos estudantes. Desse total, ultrapassam o índice de 50% os alunos que tiveram notas insuficientes em Português e Matemática. Mais estarrecedor ainda: no terceiro ano do ensino médio, a maioria dos alunos é incapaz de calcular porcentagem ou de identificar, lendo uma reportagem, qual é a principal informação nela contida. Ao exame são submetidos adolescentes e jovens do quinto ano e do nono ano do ensino fundamental e do terceiro ano do ensino médio (da rede particular, participa o colégio que quiser). Segundo o ministro da Educação, Rossieli Soares Silva, “o quadro mais grave se encontra no ensino médio”, no qual sete em cada dez alunos estão em patamares insuficientes nas duas disciplinas já referidas. “O aluno acaba abandonando a escola ou permanece mas não aprende nada”, diz ele.

ECONOMIA
Michel Temer capitula frente ao STF

Beto Barata/PR

O presidente Michel Temer se rendeu diante do STF: concedeu aos juízes da Corte o aumento salarial que eles próprios decidiram ter, de 16,38%. Com isso, outras 23 carreiras de servidores verão seus vencimentos reajustados. A decisão impede que a União economize ao menos R$ 8 bilhões no ano que vem. Em contrapartida, a magistratura federal abriu mão do auxílio-moradia. O impacto do reajuste no Poder Judiciário será de R$ 930 milhões (o auxílio custava R$ 530 milhões). Um ministro do STF passará a ganhar mensalmente R$ 39,2 mil. Temer havia se comprometido a seguir a orientação de sua equipe econômica, que era a de não conceder o aumento.

RORAIMA
Exército na fronteira

Especial

Valendo-se da medida constitucional da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o presidente Michel Temer convocou as Forças Armadas para agirem em Roraima na tentativa de abrandar o acirramento de ânimo e os conflitos entre brasileiros e venezuelanos. Uma tropa de três mil homens atuará em trechos da fronteira. Por enquanto, somente o Exército participará da ação, mas Temer deu-lhe poder de polícia. Esse decreto é menos drástico se comparado ao que ele assinou enviando as Forças Armadas ao Rio de Janeiro. A GLO não dá poderes civis aos militares. Já no Rio de Janeiro, foi determinada uma intervenção, o que permite o controle administrativo de todo o estado.