Em semana de decisões de política monetária em diversas partes do globo, incluindo no Brasil, a Bolsa iniciou a semana com ganhos, depois de ceder 0,48%, a 98.363,22 pontos, na sexta-feira, mas o movimento é limitado pelo recuo do petróleo que penalizada as ações da Petrobras. A firme valorização vista em Nova York permite ganhos na B3, ainda que o IBC-Br de julho ante junho tenha ficado aquém da mediana das estimativas e a despeito da queda do petróleo no exterior. O otimismo reflete a notícia de que a AstraZeneca e a Universidade de Oxford retomaram os testes de sua vacina contra a covid-19.

Há cerca de uma semana, o laboratório britânico deu uma pausa nos estudos após um paciente ter reação adversa ao medicamento, o que gerou preocupações nos mercados. “Houve um temor até exagerado, pois esses problemas interrupção são comuns. Por ser um assunto que todo mundo está esperando, hoje anima”, afirma Bruno Takeo, gestor da Ouro Preto Investimentos.

Nem mesmo a alta menor do que a esperada do IBC-Br em julho, que subiu 2,15% ante junho, ficando abaixo da mediana de 3,30% das projeções (2,00% a 6,10%) desanima. “É interessante olhar os dados de atividade no agregado, e não somente avaliar o IBC-Br. De forma geral, estão mostrando reação. A exceção é que o setor de serviços está reagindo de forma mais modesta”, afirma o gestor.

Além disso, acrescenta que a visão pessimista da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reforça que a retomada econômica mundial será demorada, mas não que deixará de ocorrer. “É normal essa expectativa de que os dados vão parar um pouco de crescer, mas a dinâmica de retomada prossegue”, diz.

Nesta segunda-feira, a Opep divulgou seu relatório mensal sobre o setor, apresentando cortes em projeções de demanda pela commodity energética para este ano e para 2021, evidenciando piora nas expectativas em torno da recuperação econômica global. As cotações do petróleo no exterior cedem perto de 1% no período da manhã.

Já o minério de ferro negociado no porto chinês de Qindgao fechou em alta de 1,40%, a US$ 130,17 a tonelada, mas ainda assim as ações da Vale ON subiam apenas 0,16%. Petrobras cedia em torno de 2,00%; Vale ON subia 0,18%.

Ainda na seara corporativa, as notícias são de que a privatização da Eletrobras está cada vez mais distante. Eletrobras PNB caía 1,49%. Na avaliação de Takeo, ainda que o assunto deva mesmo ficar para mais adiante, o mercado deve se incomodar, o que pode também afetar ações de outras empresas na Bolsa com potencial de privatização.