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Roubo de informações sobre campos de petróleo descobertos pela Petrobras pode ser espionagem

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RIQUEZA Plataformas como as de Campos irão explorar águas profundas (DIVULGAÇÃO)

 

RIQUEZA Plataformas como as de Campos irão explorar águas profundas

Da pior forma possível, a Petrobras descobriu que a cobiça por informações sobre o campo petrolífero de Tupi, o maior do País, é mais forte que seu esquema de segurança. Na ação que é considerada a mais ousada de espionagem industrial no Brasil, criminosos roubaram um disco rígido e notebooks carregados de informações e avaliações técnicas sobre os megapoços em águas profundas recém-descobertos pela estatal. O crime foi constatado no dia 31 de janeiro, em Macaé (RJ), e tornado público na quinta-feira 14. “Houve um furto de equipamentos e materiais que continham informações importantes”, admitiu, secamente, a Petrobras em nota. Mais do que informações sobre os poços de petróleo, o ladrão ou ladrões teriam levado estudos feitos por especialistas sobre as condições geológicas daquela região.

Ou seja, serviço completo. “A empresa levou décadas para levantar esses dados e gastou US$ 2 bilhões para isso”, relata Fernando Siqueira, diretor da Associação de Engenheiros da Petrobras. “Esse material será útil para quem vier a atuar na exploração dos poços”, diz.

As reservas do présal (localizadas até sete mil metros abaixo do nível do mar) são estimadas em 80 bilhões de barris. Um tesouro para qualquer empresa que explorar a área. Para avaliar melhor a capacidade do campo, o governo deixou esses poços fora dos leilões realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A decisão foi muito criticada e grandes empresas resolveram não participar da última rodada por causa disso. A pressão para que as reservas do pré-sal sejam licitadas é grande e os dados sobre aquela região estão cada vez mais valorizados.

 

O material furtado poderia render uns R$ 20 milhões se transformado em relatórios a serem vendidos a empresas do setor concorrentes da Petrobras. A especulação é do geólogo Giuseppe Bacoccoli, professor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE), da UFRJ. Muitas empresas internacionais, segundo ele, vendem relatórios feitos a partir de informações “obtidas de formas não usuais, lícitas ou não”. A própria Petrobras, diz o especialista, compra relatórios semelhantes para alimentar seu banco de dados nas unidades internacionais. A delegada da Polícia Federal em Macaé, Carla Dolinski, que preside o inquérito, trabalha com duas possibilidades: furto comum ou espionagem. Por enquanto, ela repete apenas o procedimento básico: “Instauramos o inquérito e determinamos algumas diligências.” A empresa que cuidava dos notebooks e do HD furtados é a americana Halliburton, ligada ao vice-presidente americano Dick Cheney, e uma das maiores prestadoras de serviço no setor em todo mundo, investigada por supostas irregularidades nos contratos de serviço no Iraque. O escritório brasileiro da empresa não se manifestou sobre o caso.