Medicina & Bem-estar

Os 6 mitos da saúde dos dentes

Conheça os erros mais comuns que praticamos na hora de cuidar da dentição, segundo estudo americano

Os 6 mitos da saúde dos dentes

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HÁBITO
Depois de comer, Theo e Mirella sempre cuidam da higiene da boca

Quem nunca ouviu falar que cárie é coisa de criança ou que ela só acontece quando a pessoa come muito açúcar? Pois afirmações como essas são tão verdadeiras quanto dizer que misturar manga com leite pode matar. Preocupada com esses mitos que rondam a saúde bucal e em como essas informações erradas interferem na prevenção, a pesquisadora americana Carole Palmer, da Escola de Medicina Oral da Tufts University, nos Estados Unidos, resolveu reunir em um trabalho os principais tabus sobre o assunto. O objetivo foi esclarecer, ponto a ponto, a razão de as ideias serem equivocadas.

No artigo, há a citação dos seguintes mitos: os cuidados dentários começam com a primeira dentição, cáries afetam somente a boca, mais açúcar na alimentação significa mais cáries, não tem problema perder dentes de leite por causa das cáries, osteoporose não tem nada a ver com os dentes e ter cáries é coisa de criança. Contra cada um, Carole apresenta evidências consistentes. Um exemplo é o conceito errado de que indivíduos mais velhos têm menos risco de apresentar doenças nos dentes. Em geral, os adultos, principalmente aqueles com idade mais avançada, usam algum tipo de medicamento. E alguns desses remédios podem reduzir a salivação. Entre eles estão os antidepressivos, os diuréticos, os anti-histamínicos, os calmantes ou remédios para dormir. “O problema é que menos saliva implica mais dificuldade para a limpeza natural da boca”, explicou a pesquisadora à ISTOÉ. “Por isso, quem faz uso desses medicamentos precisa ingerir água mais vezes ao dia para compensar o efeito da droga”, complementou. Também são um problema comum entre essa população as doenças periodontais, que afetam a gengiva e os ossos de sustentação dos dentes. “Elas podem favorecer o surgimento de cáries ao longo das raízes dos dentes”, alertou a especialista.

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Outro pensamento – o de que os piores inimigos dos dentes são os alimentos mais açucarados – é derrubado com a constatação científica de que, na verdade, o que importa é a quantidade de tempo em que o dente fica exposto ao açúcar, e não a quantidade do ingrediente presente na guloseima. Explica-se: a cárie é efeito de uma alteração no pH da boca. Quando as bactérias que naturalmente habitam a cavidade bucal entram em contato com açúcares ou carboidratos fermentáveis presentes nos alimentos, elas consomem essas substâncias, produzindo ácido. Esse ácido, por sua vez, vai se acumular sobre o dente, retirando-lhe cálcio e fósforo. Se a pessoa não escova devidamente seus dentes, eles ficam gradativamente mais porosos. O resultado é uma sensibilidade aumentada a estímulos que normalmente existem na região bucal, como o movimento da língua, a salivação ou a mastigação de alimentos. “Ou seja: a quantidade consumida de açúcar ou carboidratos fermentáveis não importa. O que leva à cárie é a exposição constante a essas substâncias”, esclarece Marisa Malt, vice-presidente da Associação Brasileira de Promoção da Saúde Bucal.

O conceito de que não existe problema em perder dentes de leite para a cárie – ele ia cair mesmo, pensam muitos pais –, também traz consequên­cias sérias. “O dente de leite tem função”, diz a odontopediatra Gabriela Schneider, do Ateliê Oral, de São Paulo. “Ele auxilia a mastigação, ajuda no desenvolvimento dos músculos da face e serve como guia para que o dente permanente cresça corretamente”, explica. Sem ele, o dente permanente pode demorar mais para nascer ou mesmo nascer torto – o que exigirá, posteriormente, o uso de aparelhos corretivos (leia mais sobre os mitos no quadro).

A ideia de reunir – e desmistificar – os tabus surgiu depois de anos nos quais a professora Carole cansou-se de ouvir enganos sobre a saúde bucal. A experiência lhe permitiu confirmar que a informação truncada ou insuficiente é uma das razões, por exemplo, que explicam o crescimento de um problema tão fácil de combater, como a cárie. Só para ter a dimensão do estrago: a Organização Mundial da Saúde calcula que, somando-se todos os dentes cariados do mundo e dividindo-os pelos cerca de 6,8 bilhões de habitantes do planeta, ter-se-ia uma média de 2,2 cáries por pessoa. “Essa é a doença infecciosa mais comum em todo o planeta”, disse Carole.

Com a divulgação do trabalho, a pesquisadora americana espera contribuir para frear essa escalada. De fato, quanto mais informação, melhor. Na casa da ex-modelo Tatiana Machado Eiras, 30 anos, em São Paulo, os filhos Theo, 3 anos, e Mirella, 7 anos, são orientados desde bem pequenos. “Levo meus filhos ao dentista desde quando nasceram os primeiros dentes de leite”, conta Tatiana. E eles aprenderam direitinho: Theo adora balas, Mirella, chocolates e biscoitos. Mas, depois de comer, eles vão direto para a pia com a escova e a pasta de dentes. “O Theo já usa até fio dental”, diz a mãe. Para ela, o problema com a escovação é bem diferente daquele enfrentado pela maioria dos pais. “Tenho que ficar em cima para que o Theo não escove os dentes demais.”

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