Comportamento

Empresários voadores

Executivos elegem o freefly, uma modalidade mais radical de paraquedismo, como fonte de equilíbrio para encarar suas estressantes jornadas de trabalho

Empresários voadores

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Conheça o freefly e confira o salto duplo da equipe de reportagem da IstoÉ no vídeo acima

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De uma altura de quatro mil metros, o advogado Cláudio Knippel, 40 anos, se atira de cabeça para baixo de um avião Cessna 208 Caravan. São 50 segundos em queda livre, a 300 quilômetros por hora, tempo em que ele desafia a gravidade e a força do vento e se desloca no ar em várias direções, a ponto de tocar nos companheiros de aventura, igualmente soltos no céu de Boituva, interior de São Paulo. A exatos mil metros do solo, Knippel se afasta dos demais, abre o paraquedas e pousa suavemente. Quem pensa que a adrenalina foi suficiente está enganado: o advogado repete a peripécia, conhecida como freefly, uma modalidade mais radical de paraquedismo, mais nove vezes. Ao fim do dia, se sente revigorado e preparado para enfrentar a maratona de trabalho à frente do seu escritório especializado em direito empresarial.

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PAIXÃO
Consultor em direito empresarial, Cláudio Knippel é
paraquedista há 15 anos e já saltou 6 mil vezes

A adrenalina dos saltos, atividade que ele pratica duas vezes por mês nos fins de semana, foi a fonte de energia que o empresário buscou há 15 anos para enfrentar sua rotina extenuante, que inclui uma cartela de mais de 250 clientes. “Só lido com problema o dia inteiro”, assume. São 12 horas de trabalho diárias, 25 advogados sob sua responsabilidade e pilhas e pilhas de petições de centenas de páginas. “Quando vou saltar, tenho que sair sem avisar, telefono da estrada para dizer que não volto mais”, diz. Para Knippel, o frio na barriga antes de saltar, a pressão do vento no rosto e a perspectiva do mundo visto de cima é o que lhe garante equilíbrio para encarar os desafios da vida profissional e pessoal. “Fazer o que se gosta aumenta até a qualidade das relações”, comenta o advogado, casado há 18 anos, pai de dois filhos.

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TERAPIA
Alexandre de Paiva, dono de uma empresa de eventos, sente
as baterias recarregadas depois de um dia de saltos

Com seis mil saltos no currículo, Knippel faz parte de um seleto time de cerca de 100 paraquedistas brasileiros que praticam essa versão mais radical do esporte. Criado há 20 anos pelo alemão Olav Zipser, popular nos Estados Unidos e introduzido no Brasil há cerca de 10 anos, o freefly implica em fazer figuras e manobras tridimensionais no ar. Os praticantes giram o corpo de todas as formas, diferentemente dos paraquedistas clássicos, que ficam de barriga para baixo até o velame (a lona do paraquedas) se abrir. Os movimentos são possíveis graças à manipulação da força e direção do vento, habilidade adquirida com muita prática. O freefly requer experiência em categorias mais tradicionais do paraquedismo, como o de precisão, de estilo e o freestyle, por exemplo (leia quadro). “Freefly é para pós-graduados em paraquedismo”, explica o instrutor Eslin Saldanha, 32 anos, paraquedista há 11. Além da dedicação e da sede por adrenalina, o custo também torna a modalidade um esporte para poucos. São quase R$ 5 mil por mês, gastos principalmente com as vagas (subidas no avião), R$ 85 cada uma. Sem contar o curso (R$ 4 mil) e os equipamentos (R$ 10 mil por um paraquedas). Mas, para os apaixonados praticantes, é um dinheiro muito bem empregado.

O empresário Alexandre de Paiva, 35 anos, além dos gastos, contabiliza 14 fraturas por causa de um acidente durante um pouso. Seis anos atrás, ele fraturou quase tudo da região dos pés à bacia e ficou um ano sem andar. Mas, três anos depois, já dava suas piruetas, para desespero da família. “O paraquedismo é seguro, o meu acidente só aconteceu porque quis fazer uma manobra para a qual não estava preparado”, garante. Sem ter onde descarregar a adrenalina, Paiva diz que não conseguiria encarar a longa jornada de trabalho à frente de sua produtora de eventos. Divorciado e pai de um menino de 3 anos, ele reveza os finais de semana entre o filho e o esporte. “Eu não consigo ficar longe do paraquedismo, sempre fui fissurado por risco.”

O Brasil tem inclusive campeonato – ganha quem realizar o maior número de manobras durante a queda livre. A performance é gravada e depois analisada pelos jurados. Se para a maioria das pessoas parece insanidade saltar de um avião a uma velocidade que equivaleria à queda do 15º andar de um prédio – em um segundo –, para os freeflyers isso é muito pouco. Para transpor os desafios reais do mundo em terra firme, esses aventureiros precisam de doses cavalares de adrenalina. Se possível, com várias piruetas.

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