Medicina & Bem-estar

As dores dele e dela

Pesquisas internacionais apontam que homens e mulheres reagem de forma diferente à dor e indicam mudanças no tratamento

As dores dele e dela

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Homens e mulheres são diferentes inclusive na maneira de sentir dor. Elas sofrem mais, com maior intensidade e frequência do que eles. É o que indicam os dados reunidos pela Associação Internacional para o Estudo da Dor. No cerne da questão, mais uma vez, aparecem os hormônios sexuais. O estrogênio, o hormônio feminino, estaria relacionado ao aumento das condições de dor crônica. Já a testosterona, o hormônio masculino, teria efeito inibidor sobre incômodos como a artrite. A oscilação dos hormônios femininos também tem efeitos. “A percepção de dor na mulher pode variar com o ciclo menstrual”, falou à ISTOÉ Jennifer Kelly, do Centro de Medicina Comportamental de Atlanta (EUA). “A dor da articulação temporo-mandibular, por exemplo, é maior logo antes e durante a menstruação”, diz.

As investigações, todavia, não param na questão hormonal. “Há também os fatores genéticos, psicológicos e culturais”, relata Jennifer. Um ponto que intriga os especialistas é a reação à dor. Elas focam mais nos aspectos emocionais e, como resultado, têm uma vivência mais forte do incômodo. Eles tendem a evidenciar apenas as sensações físicas, o que facilita o tratamento. “Tive de usar bengala e parar de fazer várias coisas, mas isso não afetou meu humor”, conta Hans Viertler, 70 anos, professor da Universidade de São Paulo. Há oito meses, ele foi acometido por dores resultantes de uma hérnia de disco. Afastou-se do trabalho e das atividades físicas diárias. Porém seus esforços se concentraram em encarar o tratamento sem deixar-se dominar pela situação. “Sabia que a dor ia passar”, conta.

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“IGNOTERAPIA"
Sem tratamento, Eliana tentava ignorar as dores de uma escoliose

Nas mulheres, a vivência emocional da dor é agravada por outro comportamento comum a elas: o de não admitir o incômodo. “Existe um mito de que a mulher é mais resistente à dor”, explica Fabíola Minson, diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. “Mas o incômodo sentido é o mesmo, só que ela não quer demonstrar, o que gera mais sofrimento.” A empresária Eliana Cancela, 48 anos, foi, durante muito tempo, vítima desse esforço para se enganar. Devido a uma escoliose, ela sofreu dores fortes por mais de duas décadas. “Os médicos diziam que eu conviveria com a dor pelo resto da vida”, conta. Diante do prognóstico, Eliana resolveu ignorar o que sentia, o que apelidou de “ignoterapia”. “Perguntavam-me se eu estava bem e eu dizia que sim”, lembra ela, que finalmente encontrou tratamento efetivo.

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SEM MEDO
Hans encarou a dor de uma hérnia de disco com a certeza de que ela passaria

As descobertas têm suscitado a dúvida: os tratamentos precisam mudar de acordo com o sexo? Há indícios de que sim. Em pesquisas em cobaias, por exemplo, os machos apresentaram melhores respostas aos opioides – analgésicos à base de ópio. Algo já sabido é que a maior predisposição feminina em desenvolver depressão e ansiedade deve ser levada em conta no tratamento da dor. Por isso, o acompanhamento psicológico e o uso de remédios, se necessário, para elas é importante.

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