Cultura

Festa na floresta

Guel Arraes repete o sucesso de O auto da compadecida em deboche histórico

Recém-descoberto, o país-continente que futuramente seria batizado Brasil funcionava como um parque de diversões para os europeus do século XVI. Pelo menos para os mais ousados. Dotado de fauna, flora e mulheres exuberantes, povoava a imaginação dos aventureiros.
Caso de Diogo Álvares Correia (Selton Mello), retratado em Caramuru – a invenção do Brasil, de Guel Arraes, um pintor de mapas que depois de fugir de Portugal naufraga por aqui. Recebido calorosamente pela tribo dos tupinambás, o desconhecido vai conquistando a simpatia de todos até conseguir casar-se com a filha do chefe, a belíssima Paraguaçu (Camila Pitanga), que, como se não bastasse, vive acompanhada pela irmã, a não menos apetecível Moema (Deborah Secco).

Depois de algum tempo, Correia – já rebatizado Caramuru – percebe que há algo errado por trás de tanta gentileza. Descobre, estarrecido, que o cacique Itaparica (Tonico Pereira), seu sogro, quer mesmo é engordá-lo para o abate. Escrito por Jorge Furtado e Guel Arraes, o filme fica a meio caminho entre o deboche e a realidade histórica. Graças ao estrondoso sucesso de O auto da compadecida, feito pela mesma dupla, o trabalho pôde ser filmado em alta definição (HDTV), o que o torna pioneiro na área. Um filme gostoso de ver. Como sempre, Mello dá um show em meio a um elenco afinado, no qual se destacam Débora Bloch e Luís Melo. E provoca inveja ao contracenar com índias tão atraentes.