Comportamento

“Nardoni matou Isabella para proteger sua família”

Livro de especialista em mentes assassinas conta bastidores do júri que chocou o Brasil

“Nardoni matou Isabella para proteger sua família”

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“A maioria dos menores de 12 anos assassinados
perdeu a vida em briga de casal”

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Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados, em março, por assassinar Isabella Nardoni, de 5 anos, filha dele e enteada dela. Os detalhes do júri do crime que chocou o País chegarão ao grande público na terça-feira 17, com o lançamento de “A Prova é a Testemunha” (Ed. Larrouse), de Ilana Casoy. Pesquisadora de mentes criminosas, a escritora foi uma das poucas pessoas que acompanharam os cinco dias do julgamento. Autora de dois livros sobre serial killers, sua especialidade, e um sobre o caso Suzane Von Rich­thof­fen, que matou os pais, Ilana defende, em setembro, sua tese de pós-graduação em criminologia no Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

ISTOÉ – Qual a diferença desse júri para outros aos quais assistiu?
Ilana Casoy – Já fui a quase 30 júris. Em alguns, se fosse jurada, teria de decidir por um ou outro argumento baseada em uma testemunha indireta. A grande diferença do caso dos Nardoni é que havia uma negativa de autoria dos réus e não havia testemunha do crime. Ninguém, além deles, sabe o que aconteceu naquela noite. A testemunha, então, era a prova. Era ela que estava em julgamento e iria ser condenada ou absolvida. Estava demorando para que, no Brasil, um júri deixasse de ser decidido apenas pela argumentação. Por isso, foi um divisor de águas.

ISTOÉ – Que tipo de assassino é o casal Nardoni?
Ilana – Eles não premeditaram o crime. Houve um descontrole dos dois. Segundo dados americanos, a grande maioria dos menores de 12 anos assassinados perdeu a vida em uma briga de casal. São comuns situações que saem do controle e sobra para a criança. Os Nardoni têm histórico de perda de controle. Há uma briga dos dois que é crucial para entendê-los. O Alexandre fazia uma lista de compras enquanto a Jatobá gritava e xingava. E ele seguia fazendo calmamente a lista. Ela ficou tão nervosa com a indiferença dele que rasgou a lista. Alexandre se levantou, pegou outro papel e recomeçou. Diante dessa forte manifestação de rejeição, ela foi para a lavanderia, deu um soco no vidro e se cortou. Comentário dele: “Você não para enquanto não fizer uma besteira.”

ISTOÉ – Essa briga é espelho da que ocorreu antes do crime?
Ilana – A Jatobá é a descontrolada, o gatilho de tudo. Na minha análise, o alvo de proteção de Alexandre é a Jatobá e os dois filhos que teve com ela. Ele matou Isabella para proteger o que, para ele, era mais importante: a família. Não pensava: “Quando der, vou matar essa filha que me incomoda.” Viu-se diante de uma situação (Isabella asfixiada pela madrasta) e tinha de tomar uma decisão rápido.

ISTOÉ – Ana Carolina Soares, a mãe, retomou a vida?
Ilana – Estão todos na família dela, finalmente, redirecionando suas vidas. Não foi fácil. Um exemplo: dois anos depois do crime, após muita gente insistir, a Ana Carolina se deu o direito de sair à noite para uma balada. Lá no banheiro, uma mulher a abordou e lhe deu uma bronca: “Como alguém que perde a filha está dançando?!” É duro, é uma cobrança de dor eterna.

ISTOÉ – Acredita que os Nardoni negaram a autoria do crime para a defesa?
Ilana – O advogado Roberto Podval defendeu uma tese na qual acreditava de forma muito digna. Ele não é aflito, não ofende, é ponderado. Pediu calma para a Jatobá várias vezes no interrogatório. E chorou no júri ao agradecer a equipe que o auxiliou. Podval chegou a ser chutado pelo povão lá fora e ficou muito chateado. Lá, a aflição dos familiares dos Nardoni era evidente. Doeu ver a mãe do Alexandre chegando, colocando a mão no coração e jogando beijo para ele. A irmã rezava o terço e chorava muito.

ISTOÉ – A média de idade dos jurados era de 25 anos. Isso foi motivo de preocupação?
Ilana – Para muita gente o júri era inexperiente. Achei bom que fossem mais novos. Como a prova é que estava em análise e a juventude atual acompanha filmes e seriados de perícia, achei que eles fossem entender melhor o que se discutia ali. Uma faixa etária mais alta, nem tão acostumada à internet e a termos técnicos, poderia ver a coisa de maneira diferente.

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