Cultura

Mapa do tesouro

No coração dos deuses funde com humor aventura e história dos bandeirantes

Voltado para o público jovem, No coração dos deuses (1999), de Geraldo Moraes, segue o filão do filme de aventuras, gênero pouco explorado no cinema brasileiro. Inspirado nos livros de Paulo Setúbal, conhecido por narrar a história das Bandeiras de forma romanceada, Moraes faz seus heróis contemporâneos entrarem num túnel do tempo e se misturarem às expedições de Fernão Dias e Borba Gato, em pleno século XVII. A trama se inicia nos dias de hoje, às margens do rio Tocantins, quando o garoto Pedrinho (Bruno Torres) encontra um homem ferido. Enfiado em vestes antigas, ele traz um fragmento do roteiro dos Martírios, ponto de chegada das Bandeiras chefiadas por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, e Manoel de Campos Bicudo.

De posse do mapa, Pedrinho, Gaspar Correia (Antonio Fagundes), Mestre Gabriel (Roberto Bomfim), Capelão (Mauri de Castro) e Simão (Cosme dos Santos) partem em direção ao tesouro de esmeraldas. Na jornada, recebem de uma estranha mulher roupas e armas de tempos atrás. Como num passe de mágica, descobrem-se então nos tempos das Bandeiras, tendo que enfrentar tribos indígenas, soldados invasores e o grupo dos desbravadores Fernão Dias e Borba Gato. Realizado ao custo de R$ 2,3 milhões, o filme tem a participação do baterista Igor Cavalera e do guitarrista Andreas Kisser, ambos do Sepultura, na trilha sonora. Os índios krahó participaram das filmagens interpretando os temíveis araé, na busca de fidelidade ao lado histórico da aventura, atravessada de lances cômicos e paródicos.