Comportamento

Patricia não veste prada

A figurinista Patricia Field disse em entrevista a ISTOÉ que foi à festa do Oscar, onde concorreu por seu trabalho em O diabo veste Prada, com um sapato de US$ 15

Patricia não veste prada


SACOLEIRA DE LUXO Patricia Field costuma fazer
compras em lojas populares da rua 25 de Março
em São Paulo, onde esteve para promover o DVD
O diabo veste Prada

A nova-iorquina Patricia Field é a figurinista mais famosa do mundo. Indicada ao Oscar por O diabo veste Prada, ela se recusa a pagar fortunas por roupa, explica o sucesso do visual de Sarah Jessica Parker em Sex and the city e diz por que adora as ruas de comércio popular de São Paulo.

ISTOÉ – Você sempre vem ao Brasil. Quando foi a primeira vez?
Patricia Field – Foi no meio dos anos 90. Fui convidada pelo Alexandre Herchcovitch. Ele é uma grande inspiração para a indústria da moda brasileira.

ISTOÉ – Ainda acha que os estilistas brasileiros imitam muito os de fora?
Patricia – Alguns ainda fazem isso, mas no começo todos faziam. Estou começando a perceber mais identidade. Estão imitando cada vez menos.


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ISTOÉ – Quem é o seu preferido?
Patricia – Não presto atenção nos estilistas. Olho a peça.

ISTOÉ – Você gosta de comprar na rua 25 de Março?
Patricia – Sim, e também na (rua) José Paulino. Tenho uma loja em Nova York que é jovem e não é cara. Minhas clientes gostam de moda sexy. Sempre fui bem-sucedida nas compras aqui. Os preços são muitos bons. Costumo vir algumas vezes por ano.

ISTOÉ – Você esperava que o figurino de Sex and the city virasse o quinto personagem da série?
Patricia –
Não. Todo mundo enlouqueceu pelo figurino, mas não sei por que. As pessoas se identificavam e amavam o jeito que Carrie (personagem de Sarah Jessica) vestia as roupas. Ela se movimentava lindamente. Era como assistir ao Fred Astaire dançando. Usar jeans e uma bolsa cara é muito Sex and the city. Isso ainda continua. Quando vai parar?

ISTOÉ – O que acha de a Sarah Jessica ter uma linha de roupas populares?
Patricia –
São roupas clássicas, fácil para todo mundo vestir e com preço acessível. A peça mais cara custa US$ 20, US$ 25.

ISTOÉ – É possível estar bem vestida com roupas baratas?
Patricia –
Acho possível se você souber selecionar.

ISTOÉ – Qual foi a peça mais cara que já comprou?
Patricia –
Compro alguma coisa cara ocasionalmente. Acabei de comprar um bracelete antigo da Elsa Peretti, dos anos 70, e paguei US$ 1 mil. Comprei também um casaco de chuva da Dior, US$ 1,5 mil. É muito dinheiro para gastar numa roupa.

ISTOÉ – Foi difícil transformar Meryl Streep numa editora de moda?
Patricia –
Nos conhecemos no filme e tivemos uma boa relação imediatamente. O ator tem que se sentir bem e o meu trabalho é esse, e não dizer o que ele deve usar.

ISTOÉ – Ela discordou de algum figurino?
Patricia –
Teve a história da meiacalça cor da pele. Não gosto, brilha, é feio. Mas Meryl queria usar. Disse que suas pernas não eram perfeitas. Entendi.

ISTOÉ – Você conhece Anna Wintour (a temida editora da Vogue americana que inspirou o livro)?
Patricia –
Não a conheço pessoalmente. Não busquei inspiração nela. De qualquer forma, Anna e Meryl não têm nada em comum fisicamente. O público em geral não sabe quem é Anna Wintour.

ISTOÉ – Foi sua idéia enfear Gisele Bündchen, que faz ponta no filme?
Patricia –
Ela quis usar óculos. Provavelmente não colocaria, mas ela queria e usou uma armação sem lentes. Ela gostou muito e ficou feliz. Gisele é legal.

ISTOÉ – Apesar do título, você não usou muita roupa Prada no figurino.
Patricia –
É verdade. Estava vestindo Meryl Streep e tinha que achar as roupas que a vestissem bem. A Prada tem roupas estruturadas e às vezes não combinam com Meryl. Mas coloquei uma bolsa que mostrava bem o nome Prada e ela usou muitos sapatos da marca e um terno.

ISTOÉ – Por que alguns estilistas não emprestaram peças para o filme?
Patricia –
Anna Wintour não colaborou com o filme. O mesmo aconteceu com alguns estilistas que devem muito a ela. Já Valentino fez um vestido e ainda apareceu no filme. Mesmo que eu quisesse alguma coisa dos estilistas que não me emprestaram, poderia comprar. Tinha um bom orçamento de US$ 100 mil.

ISTOÉ – Quem é seu ícone fashion?
Patricia –
Cleópatra. Ela existiu há mais de dois mil anos e ainda temos uma imagem forte dela.

ISTOÉ – Que dicas daria para quem quer estar bem vestida?
Patricia –
Tem que prestar atenção em você mesma. Não tem como dar uma dica básica como: vista preto. Mas não se vista como as modelos das revistas. Você pode pegar algumas idéias, mas não é todo mundo que tem 1,80m e 20 anos.

ISTOÉ – É importante para um estilista ter seu vestido no Oscar?
Patricia –
Os estilistas acham que sim. Quando chega a época do Oscar, todos vão para Los Angeles, levam suas roupas e esperam que alguém as use. Deve significar algo para eles, mas não para mim.

ISTOÉ – Vestiu Prada no Oscar?
Patricia –
Não. Fiz uma combinação engraçada. Coloquei uma medalha de ouro Bulgari, um vestido assinado pelo meu sócio David Dalrymple e sapatos que eu desenhei para a Payless Shoes, uma cadeia barata, com preços em torno de US$ 15.

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