Cultura

Pancadão latino

O reggaeton chega ao País na voz de Wanessa Camargo e no balanço caliente do sucesso Gasolina

Acelere a batida malemolente do reggae, adicione uns requebros latinos e coloque alguns rappers maliciosos em ação. A nova praga musical já tem nome. Chama-se reggaeton, surgiu em Porto Rico, em meados dos anos 90, tomou conta da comunidade latina de Miami e, de lá, se alastrou como fogo na gasolina por todos os países de língua espanhola. Agora chega ao Brasil como aposta para o verão. Só nesta semana as lojas receberam quatro CDs do gênero: Best of reggaeton (Warner), com figurinhas carimbadas como Luny Tunes; Chosen few – el documental (EMI), com a trilha sonora de um documentário sobre o ritmo; ReggaeTony (EMI), de Tony Touch; e, claro, Gasolina 100% reggaeton (EMI), trazendo o hit Gasolina, do porto-riquenho Daddy Yankee, nascido Raymond Ayala. Conhecido como “El Cangri” ou “Rei do Improviso”, o rapper de 28 anos está colocando o mundo para cantar o refrão “A ella le gusta la gasolina/dame mas gasolina”, seja lá o que “gasolina” quer dizer na gíria dos hermanos.

O explosivo pancadão latino é o carro-chefe de Barrio fino (Universal), há 55 semanas entre os mais vendidos da Billboard. Mas o que espanta é a velocidade com que a mania está se alastrando. Na Colômbia, por exemplo, Daddy Yankee reuniu 60 mil pessoas em um show, razão suficiente para que uma filha da terra, a torneada Shakira, aderisse rapidamente à moda na faixa Tortura, do CD Fijación oral (Sony BMG), em dueto erótico com o espanhol Alejandro Sanz. Embora afirme que tenha ouvido o ritmo pela primeira vez na voz de Janet Jackson, Wanessa Camargo comete um ato falho ao dar título ao primeiro reggaeton brasileiro de Amor, amor – justamente o refrão de Shakira. “Me apaixonei pelo ritmo de cara, achei que tinha a ver comigo”, conta a “neta de Francisco”, que escolheu a música como faixa de trabaho de W, seu mais novo CD. Não era a escolha da gravadora, mas Wanessa bateu o pé. No clipe que fez a toque de caixa, ela contratou uma coreógrafa para adaptar o ritmo aos requebros brasileiros. “Explorei os movimentos de quadris como no samba”, conta. Essa moda pega.

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