Brasil

Ladrão de colarinho branco

No maior assalto a banco da história do País, ladrões levam R$ 164,755 milhões do Banco Central de Fortaleza sem dar um tiro

Em vez de usar malas, caixas ou cuecas, eles preferiram levar em sacos. Sacos e sacos de dinheiro – precisamente 3,5 toneladas – foi exatamente o que rendeu o maior assalto a banco da história do País e o segundo maior do mundo. Numa ação arrojada e bem-planejada – para cineasta nenhum botar defeito –, dez homens promoveram, sem dar um único tiro, um milionário assalto ao Banco Central de Fortaleza, no último final de semana. Eles entraram e saíram do caixa-forte da instituição, sem ser incomodados, levando a fantástica quantia de R$ 164.755.150. E com direito a um intervalo de 40 horas livres para fugir sem ter ninguém no encalço. Melhor impossível. O mais surpreendente, é que nada foi gravado, nem o sistema de alarme foi acionado. Uma empilhadeira usada para mover dinheiro tapou a visibilidade do circuito interno de câmeras. Trabalho de profissional reconhecido, inclusive, pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que acredita que os assaltantes não irão muito longe.

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“Não é uma coisa fácil de manter encoberta. Como tem muita gente envolvida, vai acabar vazando e fazendo com que a polícia desvende o crime.” É bem provável. Na quarta-feira 10, a PF de Fortaleza localizou a Van Sprinter e um Gol usados durante a fuga. Os veículos estavam em um estacionamento no centro da cidade. No interior da Van foram encontrados R$ 5.350 em pacotes de notas de R$ 50, com lacre do BC. Na quinta-feira foi melhor ainda. A PF de Minas Gerais prendeu, de bandeja, Charles Machado de Moraes, dono da transportadora J.E. Transportes. A prisão de Charles aconteceu depois que seu empregado, o motorista Francisco Rogério Maciel de Souza, descobriu que estava sendo usado para transportar 11 veículos em um caminhão-cegonha para São Paulo, desde domingo, e que dois deles estavam cheios de dinheiro. Assustado, o motorista parou num posto rodoviário de Sete Lagoas (MG) para ser vistoriado. Os veículos pertenciam aos ladrões e em duas caminhonetes estavam escondidos pouco mais de R$ 2 milhões. O valor pode aumentar, pois os demais veículos estão sendo vistoriados. Na operação, também foram presos os proprietários da concessionária Brilher Car de Fortaleza, onde os veículos foram comprados. À polícia os donos da concessionária dissseram que os carros foram comprados à vista, por R$ 950 mil em dinheiro, pelo próprio Moraes, que se apresentou como um empresário de São Paulo. Moraes teria comprado os carros com a ajuda de um parente, Robson de Souza Almeida.

O maior assalto que se tem notícia ocorreu em julho de 1987. Naquele ano, ladrões invadiram o Centro de Depósitos de Knightsbridge, em Londres, e levaram 40 milhões de libras, algo em torno de R$ 170 milhões. Assim como as investigações das CPIs vêm repercutindo na imprensa internacional, o roubo do BC também mereceu destaque em vários veículos, entre eles The New York Times e The Independent. O último publicou “que o túnel de acesso ao caixa-forte do BC foi cavado em três meses.” Os assaltantes tiveram tempo, paciência, mapa do subsolo da cidade, conhecimento de engenharia e, principalmente, colaboração de alguém de dentro do banco.

Tesouro – O plano para chegar ao mapa da mina foi colocado em prática há pelo menos três meses. Os ladrões alugaram uma casa na rua 25 de Março, nº 1.071, no centro histórico de Fortaleza, a uma quadra do edifício do Banco Central. Para não despertar suspeitas, estabeleceram-se no endereço como pequenos empresários do ramo de paisagismo. Montaram uma empresa de fachada, a Grama Sintética, devidamente registrada na Junta Comercial. A partir de um quarto, localizado nos fundos da residência, cavaram um buraco de quatro metros de profundidade, a partir do qual deram início à construção de um túnel de 80 metros de extensão por 70 centímetros de largura ligando a casa ao banco. “O túnel foi revestido com lona e escorado com madeira para evitar desabamento”, disse o delegado Eliomar Lima Junior. Contava ainda com sistema de arcondicionado e iluminação elétrica. Construído em linha reta, o túnel atravessou um estacionamento e a avenida Dom Manuel até chegar ao cofre da agência. Para Roberto Kochen, diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva “quem projetou o túnel sabia exatamente o que estava fazendo”.

Munidos de alicate, furadeira, serra elétrica e maçarico, realizaram a etapa final sem que ninguém escutasse nada. Será possível? Possível ou não, o certo é que eles perfuraram o piso do caixa-forte, de 1,10 metro de espessura de concreto e ferro, entraram e esvaziaram quatro contêineres com cédulas de R$ 50. As notas novas e seriadas foram desprezadas para evitar o rastreamento. O roubo só foi percebido na segunda-feira 8. Resumo da ópera: os ladrões tiveram um fim de semana inteirinho para invadir o banco, pegar o dinheiro e fugir. “O sistema interno estava ligado, mas não gravava, apenas filmava”, diz o delegado Luiz Wagner Mota Sales. Quatro retratos falados já foram elaborados e entre os suspeitos estão integrantes de várias quadrilhas, especialmente a de Moisés Teixeira da Silva, foragido da extinta Casa de Detenção (SP) desde 2001. A segurança externa do BC é feita por uma empresa de vigilância armada, a Servis Segurança, que, além de guardar a parte externa, também controla a entrada e saída de pessoas. A segurança interna, no entanto, de acordo com a polícia, é de responsabilidade exclusiva da instituição.

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