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Feras na cidade

Pressionados em seus habitats, os animais silvestres invadem espaços urbanos nos EUA

Feras na cidade

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Está em cartaz no Brasil o filme Os sem floresta. Conta a história de um grupo de animais que hiberna na mata e acorda dentro de um loteamento de subúrbio. Motivo: durante o inverno, os humanos se apossaram das terras em que os bichos dormiam. Trata-se de um desenho animado. Nos EUA, porém, os animais estão aparecendo nas cidades em carne e osso – e muitas vezes também em busca dessas duas coisas. Eles foram uma espécie de MST dos Bichos, os sem-floresta, e não são espécies domésticas, como, por exemplo, os 76 milhões de cães que, estima-se, vivem no país. Quem avança agora são tipos mais selvagens: recentemente um coiote deu trabalho à polícia de Nova York driblando seus perseguidores durante uma semana, em pleno Central Park. Outro coiote tentou comer um poodle que passeava nas freguesias de Westchester, ao norte da cidade. Há também o aparecimento de ursos nos subúrbios nova-iorquinos e de New Jersey – alguns se contentam em revirar lixo pelas ruas, outros invadem as cozinhas das casas. E tem mais: veados andam destruindo jardins, e somente na região metropolitana da Big Apple houve um aumento de 600% deles desde 1980, segundo a Sociedade Protetora dos Animais. Na Flórida, os invasores urbanos são tubarões e jacarés.

Na semana passada, também na Flórida, Luiz Ibarez passeava com seu filhote de cão labrador pelas calçadas de um conjunto habitacional em Fort Lauderdale. De repente, ele sentiu uma puxada forte na coleira, e no instante seguinte estava de mãos vazias. Um crocodilo de dois metros de comprimento mantinha o cachorro nas mandíbulas enquanto se atirava num espelho d’água de um jardim. O homem não teve dúvida: deu uma de Tarzan e pulou sobre a fera. “Dei tanta pancada no olho do maldito que ele largou o meu Beck”, disse Ibarez. O cachorro saiu dessa parada ferido, mas vivo. Foi também nessa ocasião, no bairro do Queens, que um pequinês só não virou jantar de um coiote devido à rápida intervenção de seu dono. “Dei com a lanterna na cabeça do coiote e ele saiu ganindo”, diz Thomas Woolsher, firme em seus 78 anos.

“O reflorestamento, principalmente na Costa leste americana, tem contribuído muito para atrair os animais. Eles vão para as matas novas e acabam escapulindo para as cidades”, diz James Dunn, membro do Serviço Estadual de Fauna e Flora da Flórida. A explicação vale para diversas regiões. Em New Hampshire foram recuperados 86% da mata nativa nos últimos 100 anos. Em toda a Nova Inglaterra aconteceu a mesma coisa com 59% da área original. Em Nova York, ao longo do rio Hudson, o reflorestamento e a limpeza das águas são um trabalho constante. Isso tudo atrai os animais, além, é claro, daquilo que se pode chamar de síndrome de Zé Colméia (referência ao personagem do desenho animado). Ou seja: os bichos sabem que onde estão os humanos está a comida fácil.

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